Equador pode proibir que bancos controlem grupos de mídia

Em meio a uma polêmica sobre um projeto de lei que deverá regular o setor bancário, ministro da Economia diz que incluirá proposta na próxima Constituição

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O ministro equatoriano da Economia, Ricardo Patiño, assegurou nesta terça-feira, 12, que tentará incluir na próxima Carta Magna do país uma lei que proíba o controle de meios de comunicação por instituições financeiras. O anúncio, que foi endossado mais tarde pelo presidente Rafael Correa, vem à tona em meio a uma disputa entre o governo e o setor bancário do país. A polêmica tem como foco um projeto de lei presidencial que dará ao Estado poder para reduzir taxas bancárias e eliminar comissões, além de outorgar maior ingerência da "Junta Bancária" (um órgão governista) sobre as instituições financeiras. Várias emissoras equatorianas são financiadas por grandes banqueiros, que também controlam jornais, rádios e revistas. Em declarações nesta terça-feira, Correa acusou o sistema bancário e os meios de comunicação de iniciar uma campanha para desestabilizar seu governo. "Uma das reformas que deve fazer a Assembléia Constituinte é proibir essa relação incestuosa entre grupos financeiros e os meios de comunicação", disse Correa, segundo a agência France Presse. Em declarações nesta terça-feira, Patiño também criticou a associação entre os meios de comunicação e o setor financeiro. O ministro da Economia, por sua vez, encontra-se envolvido num escândalo desencadeado pela difusão de um vídeo de origem desconhecida em que ele aparece dialogando com o presidente do Parlamento, o oposicionista Jorge Cevallos. Para Patiño, as imagens vinculadas pela emissora Teleamazonas - controlada por um dos maiores bancos do país - é parte dessa campanha. "Há uma evidente coincidência entre o canal Teleamazonas, e seu dono, o senhor Fidel Egas, que também é dono do Banco de Pichincha, um dos bancos mais importantes deste país, e que estão em oposição ferrenha" ao projeto do Executivo para controlar o setor bancário, disse o ministro. "Um grande poder econômico não pode ter um meio de comunicação a sua disposição", acrescentou. Patiño e Cevallos concordaram que não houve conspiração no diálogo que tiveram em um hotel e reiteraram que a conversa não tratou de nenhum assunto de caráter econômico, apenas uma discussão normal sobre a atual situação econômica do país. Ainda assim, as imagens tiveram grande repercussão entre membros da oposição, que classificaram o presidente do Congresso como traidor. Por causa do escândalo, Cevallos colocou seu cargo a disposição nesta terça-feira.

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