Equador pretende processar Colômbia por fumigação aérea

O Equador disse na terça-feira que vai processar a Colômbia por violar o acordo sobre a fumigação de plantações ilegais de droga ao longo da fronteira. O programa de erradicação colombiano, que conta com o apoio dos Estados Unidos, vem causando tensões com o novo presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, que alega que os herbicidas representam um risco para os moradores e as plantações na fronteira entre os dois países. Correa, que é aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e que critica as políticas norte-americanas para a região, concordou em janeiro com a Colômbia com a monitoração conjunta da fumigação, para garantir que o herbicida glifosato não passe para o lado equatoriano. "Sabemos que ontem a fumigação foi retomada ... eles não nos informaram e isso complica as coisas", disse a ministra das Relações Exteriores do Equador, Maria Espinosa, a uma emissora de TV local. Um funcionário da embaixada colombiana em Quito disse que não tinha declarações a fazer sobre o assunto. A ministra disse que, por causa da atitude da Colômbia, o Equador terá de prosseguir com o plano de processar o país na Corte Internacional de Justiça, em Haia, e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em dezembro, o Equador convocou de volta seu embaixador em Bogotá devido às tensões causadas pela operação de fumigação. O governo colombiano alega que os herbicidas são seguros. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, que recebeu milhões de dólares em ajuda norte-americana para combater o tráfico de drogas e os rebeldes esquerdistas, disse que a fumigação aérea é essencial, já que as outras formas de erradicação são perigosas demais. Há um ano, o governo colombiano teve de interromper a fumigação numa faixa de 10 km perto da fronteira, depois de reclamações equatorianas sobre o impacto do veneno nos moradores e nas culturas locais. A Colômbia é o principal produtor de cocaína do mundo, cerca de 600 toneladas da droga por ano. A maior parte dela é enviada para os mercados norte-americano e europeu.

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