REUTERS/John Stillwell
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Equador recorre à Interpol para prender ex-chanceler de Correa que deixou o país  

Ricardo Patiño, um dos colaboradores mais próximos do ex-presidente Rafael Correa, foi acusado de incitar um movimento contra o presidente Lenín Moreno; em 2012, ele concedeu asilo diplomático a Julian Assange

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2019 | 09h14

QUITO - A Justiça do Equador recorre à Interpol após ordenar, na quinta-feira, 18, a prisão do ex-ministro das Relações Exteriores Ricardo Patiño, que deixou o país em meio a uma investigação por suposta incitação contra o governo de Lenín Moreno, de acordo com a acusação. O ex-chanceler, que ocupou o cargo durante a presidência de Rafael Correa (2007-2017), fez ontem uma breve escala em Lima em sua viagem ao México. Quito pedirá que seu nome seja incluído na lista vermelha da polícia internacional. 

Um juiz da cidade Latacunga, capital da província andina de Cotopaxi, determinou a prisão preventiva contra Patiño e solicitou um alerta vermelho da Interpol, como explicou a Procuradoria do Estado, em um comunicado, após informar que o ex-ministro havia deixado o país na noite de quarta-feira. 

 

"Deixei o país em completa legalidade. Não havia nenhum mandado de prisão contra mim", disse Patiño em um vídeo divulgado no Youtube e no Twitter, acrescentando que a decisão do tribunal "é uma ação bruta que se qualifica claramente como perseguição política".

Patiño está sendo processado por seu suposto envolvimento no crime de incitação ao chamar para tornar as instituições públicas e estradas de fechamento. Ele pode ser condenado de 6 a 24 meses de prisão. 

Em 2012, o então chanceler concedeu asilo diplomático ao criador do site WikiLeaks, Julian Assange, que permaneceu refugiado na embaixada equatoriana em Londres até uma semana atrás, quando foi preso pela polícia britânica depois que Quito lhe retirou esse status. 

Patiño foi um dos colaboradores mais próximos de Correa, principal adversário de seu sucessor Moreno, com quem mantém uma luta que levou à uma crise no governo.

O ex-ministro passou a noite na capital peruana antes de pegar o voo da companhia aérea Aeroméxico, que partiria às 7h05 (9h05 em Brasília) com destino à capital mexicana, segundo informaram fontes oficiais consultadas pela agência EFE.

Sua viagem foi possível ao não pesar sobre ele nenhuma ordem judicial, embora a procuradora-geral do Estado, Diana Salazar, se queixar do Poder Judiciário ao afirmar que tinha pedido a medida cautelar de prisão no sábado.

O caso remonta a outubro do ano passado quando a Promotoria de Cotopaxi abriu uma investigação contra Patiño por supostamente ele ter incitado seus seguidores em uma convenção do seu movimento político a passar para uma ação combativa contra as instituições públicas.

Com 65 anos, Patiño ocupou as pastas de Relações Exteriores e Defesa enquanto Correa - que vive na Bélgica e também é procurado pela Justiça equatoriana por violação de medidas cautelares no caso de sequestro de um político opositor - era presidente.

O ex-chanceler é considerado o dirigente mais próximo do ex-presidente Correa até agora no Equador, depois que o ex-vice-presidente Jorge Glas foi preso no fim de 2017, após ser condenado por formação de quadrilha no caso de subornos da empresa Odebrecht. Por enquanto, se desconhece se Patiño deve retornar ao país. / AFP e EFE 

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