REUTERS/Vicente Gaibor del Pino
REUTERS/Vicente Gaibor del Pino

Equador retira quase 800 corpos casas em Guayaquil

Serviços hospitalares e mortuários entraram em colapso na cidade que é o epicentro da pandemia do novo coronavírus no país

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2020 | 07h27

GUAYAQUIL, Equador - O governo do Equador anunciou nesse domingo, 12, que retirou quase 800 corpos de pessoas que morreram em suas residências nas últimas semanas em Guayaquil. A cidade, que é o epicentro do novo coronavírus no país, enfrenta um cenário devastador, no qual já entraram em colapso os sistemas de saúde e funerário pela pandemia.

"A quantidade (de corpos) que coletamos com a força-tarefa nas casas excedeu 700 pessoas", disse Jorge Wated, que lidera uma equipe de policiais e militares criada pelo governo diante do caos desencadeado pela covid-19 na cidade.

O líder da equipe informou, usando sua conta no Twitter, que nas três semanas de atuação da força-tarefa, o balanço é de 771 mortos retirados de casas e 631 de hospitais - que estão com os necrotérios lotados.

Os números divulgados por Wated, no entanto, causam certa confusão. Os mais de 1.400 corpos recolhidos pela força-tarefa representam um número muito superior aos dados de morte por coronavírus divulgados pelo governo até o momento. O balanço oficial no país contabiliza 7.500 casos e 333 mortes. Apesar de ter divulgado a quantidade de corpos recolhidos, Wated não detalhou as causas das mortes.

O balanço oficial sobre a situação provocada pelo coronavírus no país, onde o primeiro caso correspondeu a uma migrante equatoriana que retornou da Espanha, também detalha até domingo outros 384 casos de pessoas que provavelmente morreram vítimas do vírus, mas que não foram submetidas a teste em vida, nem seus corpos foram objetos de autópsias para determinar um possível contágio.

A província costeira de Guayas concentra 72% dos infectados. E em sua capital, Guayaquil, existem cerca de 4.000 pacientes, segundo o governo nacional. 

Há três semanas, as forças militares e policiais começaram a remover corpos das casas após falhas no "sistema mortuário" do porto de Guayaquil, o que causou atrasos no instituto médico legal e nas funerárias em meio ao toque de recolher diário de 15 horas que governa o país.

Diante da situação, os moradores de Guayaquil transmitem vídeos de corpos abandonados nas ruas e mensagens de ajuda de parentes para enterrar seus mortos nas redes sociais.  O governo equatoriano também assumiu a tarefa de enterrar os corpos devido à incapacidade de seus parentes em fazê-lo por várias razões, inclusive econômicas.

De Guayaquil, em uma coletiva de imprensa virtual, Wated apontou que os corpos de 600 pessoas identificadas foram enterrados em dois cemitérios da cidade. Há quase duas semanas, o líder da força-tarefa antecipou: "os médicos infelizmente estimam que as mortes nesses meses cheguem entre 2.500 a 3.500 por COVID, apenas na província de Guayas"./ AFP

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