RODRIGO BUENDIA / AFP
RODRIGO BUENDIA / AFP

Equador se diz aberto a mediação internacional para resolver crise

Secretário da presidência diz que Lenín Moreno pode aceitar ajuda da ONU, da Igreja Católica ou de reitores de universidades para lidar com manifestações contra medidas de austeridade impostas neste mês; presos chegam a 570

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 12h09
Atualizado 08 de outubro de 2019 | 14h54

QUITO - O governo do Equador afirmou nesta terça-feira, 8, que aceitaria a mediação das Nações Unidas ou da Igreja Católica para a grave crise que afeta o país a quase uma semana contra medidas de austeridade impostas pelo presidente Lenín Moreno.

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Milhares de manifestantes indígenas já estão na capital do país - e muitos outros e estão a caminho - para participar de um grande protesto na frente do palácio presidencial, fortemente vigiado nesta terça.

Enfrentando a maior crise de seus dois anos e meio de governo, Moreno declarou estado de emergência na semana passada após aumentar os combustíveis em 123% e, nesta madrugada, transferiu as operações do governo para a cidade costeira de Guayaquil, onde há menos manifestações.

"A única resposta é diálogo e firmeza ao mesmo tempo", disse o secretário da presidência Juan Sebastián Roldán a uma rádio local. “Não temos problema em aceitar a mediação sugerida pela Organização das Nações Unidas, por alguns membros da Igreja e reitores (universitários).”

Além disso, o porta-voz do governo informou que o número de pessoas presas durante os protestos chegou a 570.

Entenda a crise

Os protestos contra Moreno começaram na quinta-feira, 3, depois de o governo anunciar o corte de subsídios para combustíveis como parte de uma reforma econômica prevista em acordo de empréstimo de US$$ 4,2 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Grupos indígenas e outros manifestantes fizeram barricaram em estradas com pneus, pedras e galhos queimados, enquanto a polícia usou veículos blindados e gás lacrimogêneo para acabar com as manifestações.

Entre os detidos há um membro do Congresso que apoia o antecessor de Moreno, Rafael Correa, disse Roldán.

Moreno acusou o esquerdista Correa, seu ex-mentor e chefe quando era vice-presidente, de tentar um golpe com a ajuda do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro.

"Eles querem transformar o Equador na Venezuela", disse Roldán.

Mudança drástica

Moreno apoiou Correa durante seu governo de uma década, mas rompeu com ele depois de vencer as eleições de 2017 para sucedê-lo e mudou as políticas econômicas do país com uma guinada à direita.

Falando na Bélgica, onde ele vive autoexilado, Correa disse à Reuters que a acusação contra ele era um absurdo. "Eles são tão mentirosos... Dizem que sou tão poderoso que com um iPhone de Bruxelas eu poderia liderar os protestos", disse o ex-presidente, mostrando seu celular.

"As pessoas não aguentam mais, essa é a realidade", afirmou o ex-mandatário equatoriano, referindo-se às medidas econômicas de Lenín. Maduro ainda não respondeu à acusação de envolvimento da Venezuela na crise equatoriana. / REUTERS

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