EFE/Martin Alipaz
EFE/Martin Alipaz

Equador volta a processar cartunista crítico ao governo

Em menos de um ano, Bonil é acusado pela segunda vez de discriminação em razão de sátira a deputado

QUITO, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 02h03

Um ano depois de ser repreendido por um desenho que incomodou o governo do Equador, o caricaturista Bonil voltou ontem ao banco dos réus por um cartum que foi considerado "discriminatório" por organizações negras locais.

Durante duas horas, Bonil ficou em silêncio na audiência convocada pelo órgão regulador da comunicação no país, resultante de um processo aberto no ano passado em razão de uma caricatura de agosto de 2014 contra um ex-jogador de futebol e deputado do governo.

Ao fim do depoimento, o desenhista, que negou ser racista, exibiu aos funcionários grandes óculos de papelão para que "parem de fazer vista grossa" ao assédio do governo contra jornalistas e opositores.

Do lado de fora, manifestantes vestindo camisetas com a inscrição "Yo Soy Bonil" (Eu Sou Bonil) protestavam contra a censura ao artista.

Se for considerado culpado, Javier Bonilla (Bonil) pode ser obrigado a se retratar como fez um ano atrás, quando a Superintendência de Comunicação (Supercom) impôs-lhe a sanção em razão de um texto sobre uma operação judicial que indignou o governo por "estigmatizar" a Justiça.

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Além disso, o processo pode resultar na segunda sanção econômica em menos de um ano contra o jornal El Universo, após ser obrigado a pagar US$ 90 mil também por publicar um desenho de Bonil. A decisão da Supercom deve sair nos próximos dias.

Aos 50 anos, o caricaturista passou a ser mais conhecido pelos processos que enfrenta, à luz de uma lei que aumentou o controle sobre os meios de comunicação, do que pelo trabalho que publica diariamente no El Universo, crítico ao presidente equatoriano, Rafael Correa.

O presidente, que conseguiu aprovar a nova lei de mídia em 2013, por meio de uma consulta popular, costuma questionar Bonil por suas sátiras contra o governo. Agora, o desenhista enfrenta uma nova ação por satirizar o discurso ao Congresso do ex-craque e deputado Agustín "Tin" Delgado de uma forma "discriminatória". / AFP

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