Paolo Aguilar/EFE
Paolo Aguilar/EFE

Equatorianos mantêm protestos mesmo com toque de recolher

Governo do Equador reduz período do toque de recolher imposto no sábado e se reúne com lideranças indígenas; crise no país decorre de decreto sobre subsídios para combustíveis

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2019 | 21h23

QUITO - A pé ou amontoados nas caçambas de caminhonetes, os equatorianos desafiaram ontem o toque de recolher que entrou em vigor ainda na tarde de sábado, após a capital Quito ter passado pelo dia mais violento de protestos desde o início da paralisação contra o governo, no dia 3. 

O parque El Arbolito, que desde a semana passada está sob o comando do movimento indígena, voltou a ser palco de confrontos entre a polícia e os manifestantes, muitos simpatizantes dos indígenas. Barricadas improvisadas feitas com pneus queimados e pedras serviram de escudo contra as bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelos policiais.

A confusão durante a tarde de ontem sucedeu uma manhã relativamente calma na capital do Equador, quando soldados haviam tomado controle das ruas próximas à Assembleia Nacional e à Controladoria-Geral. 

As mobilizações deste domingo aconteciam no momento em que estava agendada a primeira rodada de negociações entre o presidente do Equador, Lenín Moreno, e lideranças da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), mediada por representantes da ONU e da Conferência Episcopal Equatoriana. 

A conversa foi adiada por “dificuldades operativas devidas à situação” de convulsão social no País, segundo nota conjunta da ONU e da Conferência. Apesar do atraso, as partes se mostraram interessadas em mantê-la para o mesmo dia.

Houve aumento no número de mortos e feridos em decorrência dos protestos. Desde o dia 3, sete pessoas morreram, mais de 1,3 mil ficaram feridas e mais de 1,1 mil foram presas, segundo novo balanço da Defensoria Pública divulgado ontem. Também foi anunciada a redução do toque de recolher em Quito, antes de 24 horas, que passou a vigorar entre as 11h e as 20h – horário local. 

Em tentativa de abrir um canal de diálogo, Moreno afirmou que seu governo iria fornecer respostas às preocupações dos manifestantes, além de estudar meios para garantir que recursos cheguem às áreas rurais distantes e que compensações sejam oferecidas àqueles que perderam bens. “Nós vamos negociar com aqueles que decidiram fazê-lo”, disse, em declaração veiculada em cadeia nacional. “O processo está avançando e eu espero trazer a vocês notícias boas em breve, porque diferentes organizações e setores confirmaram que estão dispostos a conversar.” 

O presidente mostrou-se alinhado aos movimentos indígenas, que lideram os protestos, ao afirmar que eles não estariam envolvidos com os manifestantes encapuzados que invadiram a Controladoria Geral do Estado, no sábado, quebrando janelas e ateando fogo ao prédio. Moreno atribuiu os ataques ao crime organizado e a seguidores do ex-presidente Rafael Correa, seu rival político, que o acusa de traição e defende sua saída do cargo. 

Os movimentos indígenas se mostraram dispostos à articulação, porém reiteraram que os protestos somente cessarão quando o decreto que eliminou os subsídios nos preços dos combustíveis for revogado. A medida aumentou em até 136% os preços dos galões de diesel e da gasolina e é decorrente de um acordo de empréstimo de mais de US$ 4 bilhões feito com o Fundo Monetário Internacional (FMI). / AP e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Equador [América do Sul]protesto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.