Equatorianos poderão ir às urnas 5 vezes em um ano e meio

A consulta popular para a aprovação de uma Assembléia Constituinte, que será realizada no dia 15 de abril no Equador, abre um período de cerca de ano e meio em que os equatorianos terão que ir às urnas quatro ou cinco vezes.O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) decidiu que a consulta popular para a Assembléia Constituinte será no dia 15 de abril, após a resolução aprovada hoje no Congresso, que aprovou o plebiscito.A primeira votação será a própria consulta popular, na qual os equatorianos decidirão, dentro de dois meses, se querem uma Assembléia Constituinte. Segundo as enquetes, 77% dos equatorianos são a favor da Constituinte. Assim, a segunda votação seria para escolher, provavelmente entre junho e julho, os 130 constituintes.A Assembléia terá um prazo de seis meses, ampliável por mais dois, para redigir uma nova Constituição. Provavelmente, entre março e maio de 2008 a Assembléia deverá aprovar a nova Carta Magna. Mas a própria resolução aprovada nesta terça-feira, 13, exige que ela seja ratificada num novo plebiscito, que seria a terceira votação.O Congresso decidiu que a Constituinte terá que respeitar os resultados das eleições e, em conseqüência, não poderá dissolver a Câmara nem destituir o presidente. Mas deverá haver pelo menos uma quarta votação, para um novo Parlamento.Também é possível que a Constituinte convoque novas eleições presidenciais. O presidente Rafael Correa se mostrou disposto a aceitar o que seria a quinta votação, depois de maio de 2008.O panorama leva alguns grupos, especialmente os que apóiam o presidente e a Assembléia Constituinte, a se manterem em campanha permanente para buscar bons resultados nas urnas.O próprio Correa, cujo partido não disputou as eleições legislativas de outubro de 2006 por considerar o Congresso um "ninho da partidocracia", disse que convidou o povo a "cumprir com sua parte da história, achatando nas urnas as máfias políticas".Correa citou como "máfias políticas" o Partido Reformista Institucional de Ação Nacional (Prian), a principal força no Parlamento; o Partido Social Cristão (PSC), que era a maior força política até as eleições de outubro; e a Sociedade Patriótica (PSP), do ex-presidente Lúcio Gutiérrez.Gutiérrez, que elegeu a segunda maior bancada nas eleições, com 24 dos 100 deputados, também começou a percorrer o país fazendo campanha.O multimilionário populista de direita Álvaro Noboa, líder do Prian, e o prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot, do PSC, se reuniram com Gutiérrez para falar da Assembléia.Assim, o panorama político anuncia tensões, somadas à incerteza econômica criada entre os empresários pelo Governo, de tendência esquerdista. A previsão para o Equador, segundo os analistas, é de instabilidade a médio prazo.

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