Equilíbrio no debate divide analistas

Alguns especialistas afirmam que embate favoreceu McCain, outros dizem que Obama conseguiu o que queria

NYT, REUTERS, AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2008 | 00h00

O resultado do equilibrado debate de ontem à noite entre o republicano John McCain e o democrata Barack Obama dividiu a opinião de analistas políticos americanos. Todos concordaram que foi um encontro equilibrado, mas discordaram a respeito de quem se beneficiou com isso.Para David Gergen, consultor político de vários presidentes americanos, McCain perdeu uma chance de nocautear o adversário em uma noite em que a temática - política externa - era sua especialidade. "Essa era a grande oportunidade de McCain. O equilíbrio foi ruim porque ele continua atrás nas pesquisas e agora terá pela frente debates sobre temas que ele não domina", disse.Alex Castellanos, estrategista republicano, viu o resultado de maneira diferente. "Foi uma semana terrível para McCain e nada melhor do que um debate sobre política externa para que ele equilibrasse a disputa. O empate, nesse caso, foi uma boa notícia para ele."O primeiro debate presidencial só aconteceu porque McCain decidiu participar na última hora e recuou de sua decisão de suspender a campanha. "A campanha está retomando todas as atividades e McCain vai ao debate", indicou um comunicado divulgado ontem de manhã pelos estrategistas do republicano.Os assessores de McCain justificaram o recuo dizendo que já existe consenso suficiente entre os congressistas para que o plano de US$ 700 bilhões para o resgate do setor financeiro seja aprovado no final de semana. De maneira surpreendente, o republicano apelou para o patriotismo e interrompeu sua campanha na quarta-feira, dizendo que precisava voltar para Washington com urgência para tentar aprovar o pacote.O republicano havia pedido para que Obama fizesse o mesmo, mas o candidato democrata rejeitou, argumentando que o presidente dos EUA tem de lidar com vários problemas ao mesmo tempo. O democrata confirmou presença no debate e deixou McCain sem opção. "No fim, McCain piscou primeiro que Obama", reconheceu ontem Craig Shirley, estrategista republicano e ex-assessor de McCain. A decisão do republicano atraiu críticas de todos os lados. Harry Reid, líder dos democratas no Senado, afirmou que o acordo estava praticamente concluído até McCain aparecer. "Faltavam alguns poucos detalhes quando, de repente, adivinhe quem chegou à cidade?", disse Reid ontem, visivelmente irritado com McCain.A posição do candidato republicano ficou ainda mais delicada depois que a imprensa americana revelou que a participação de McCain foi quase nula na reunião de quinta-feira com o presidente George W. Bush, Obama e líderes dos dois partidos. Quem participou do encontrou na Casa Branca disse que McCain permaneceu sentado e calado por mais de 40 minutos. Falou apenas no fim, mas sem apresentar nenhuma proposta detalhada sobre o plano.O deputado republicano Whip Roy, um dos articuladores do grupo que emperrou a aprovação do projeto, reconheceu em entrevista à rede CNN que o acordo quase foi fechado, mas a chegada de McCain reforçou a posição da minoria e desandou as negociações.Além disso, vários analistas e comentaristas políticos destacaram o fato de a campanha de McCain nunca ter sido realmente suspensa. Os principais programas de sátira política dos EUA debocharam do senso de urgência do candidato, que foi visto com mais freqüência concedendo entrevistas em estúdios de TV do que em seu gabinete no Congresso, por onde McCain circulou todo o tempo com seu chefe de campanha, Rick Davis.

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