AFP PHOTO/Eitan Abramovich
AFP PHOTO/Eitan Abramovich

Equipamentos e mobília desaparecem em transição de governos na Argentina

Na Casa Rosada faltou água quente para o novo presidente Mauricio Macri tomar banho; em governos municipais e estaduais, autoridades acusam funcionários das antigas administrações de terem se apropriado de bens públicos

O Estado de S. paulo

18 de dezembro de 2015 | 11h44

BUENOS AIRES - Computadores, televisores, câmeras fotográficas e até telefones e cafeteiras desapareceram dos escritórios do governo durante a transferência de poderes nas distintas administrações argentinas. Se a transferência de poder entre a ex-presidente Cristina Kirchner e seu sucessor, Mauricio Macri, pareceu mais uma novela pelo enfrentamento que mantiveram sobre os detalhes da cerimônia de posse, ministros, governadores e até prefeitos também estão vivendo situações grotescas em seus novos cargos.

O novo presidente da Argentina não pôde utilizar o automóvel conversível da frota presidencial que costumava ser usado nas cerimônias de posse porque não funcionava. O veículo que utilizou, segundo meios de comunicação locais, também da frota presidencial, acumulava um bom número de multas e uma dívida pelo não pagamento do emplacamento.

Após assumir a presidência, Macri quis tomar um banho na Casa Rosada, sede do Executivo. Para sua surpresa, teve que tomar uma ducha fria porque não havia água quente.

Alguns de seu colaboradores pediram um café com leite na Casa Rosada, mas também não tiveram sorte. Não havia leite e os encarregados do serviço comunicaram que não tinham autorização para reposição.

Do escritório do ex-chefe de gabinete desapareceram os seis televisores que o funcionário costumava utilizar para acompanhar as últimas notícias.

Computadores, câmeras fotográficas, telefones celulares e até aparelhos de telefone fixos desapareceram das dependências da Casa Rosada.

Em seu primeiro discurso público, o novo diretor do Instituto Nacional de Estatísticas (Indec), Jorge Todesca, denunciou, na segunda-feira, que tinha encontrado uma paisagem de "terra queimada" no organismo.

Todesca não se referia tanto à subtração de equipamentos, mas ao descontrole do organismo. "Há muita gente que não sabe de quem depende e por que recebe seu salário". "Não existem recursos, nem humanos e nem materiais" para realizar o trabalho no Indec, lamentou.

O prefeito de La Rioja, o peronista Alberto Paredes Urquiza, afirmou na terça-feira que herdou uma situação financeira "crítica", com 160 pesos (menos de R$ 50) no caixa, e adiantou uma investigação sobre o desaparecimento de mobília e ferramentas de trabalho nos escritórios da administração municipal.

O novo governador da província de Chubut, Mario Das Neves, peronista rival ao kirchnerismo, denunciou que os funcionários da administração anterior - kirchneristas - levaram veículos oficiais, computadores, câmeras, telefones e até uma cafeteira avaliada em R$ 80.

"Vamos mandar documentos e em poucos dias revelaremos os nomes e sobrenomes para ver se têm um pouco de vergonha", ameaçou Neves. "Não posso entender que os funcionários que saem junto com o antigo governo não devolvam os pertences do Estado", insistiu o governador.

Em Pinamar, na província de Buenos Aires, o novo prefeito, Martín Yeza (da coalizão Cambiemos, liderada por Macri) disse que foram roubadas as cadeiras em um dos escritórios, que não há internet na prefeitura e que o serviço de ligações de longa distância está cortado.

Os novos funcionários demorarão ainda semanas para revistar com detalhes os inventários e repor as perdas. 

Também será atrasada em várias semanas a instalação de Mauricio Macri na residência presidencial de Olivos, nos arredores de Buenos Aires. Macri já antecipou que a residência necessita de reformas. A primeira é retirar as manchas de umidade nos tetos. / EFE

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