AP Photo/Fernando Vergara
AP Photo/Fernando Vergara

Equipe da ONU que verificava retirada de armas de esconderijo das Farc é atacada

Ação deixou um policial ferido e pode ter sido realizada por dissidentes da antiga guerrilha ou pelo ELN

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2017 | 19h51

BOGOTÁ - Um policial ficou ferido neste domingo, 6, em um ataque a uma missão da ONU na Colômbia que supervisionava a retirada de armas de um esconderijo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), informou a polícia, que atribuiu a ação a dissidências da antiga guerrilha ou ao ELN - segunda maior guerrilha do país.

A comitiva do órgão internacional, encarregada de supervisionar o desarmamento e a reinserção dos rebeldes após o acordo de paz, foi atacada no município de Caloto, Departamento (Estado) de Cauca. Os integrantes da missão estavam acompanhando o recolhimento de armas e munições quando foram atacados. 

O chefe da polícia de Cauca, coronel Édgar Rodríguez, disse a rádios locais que o ataque foi responsabilidade de guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), único grupo rebelde ativo do país, com o qual o governo negocia o fim de meio século de conflito armado. Mas fontes dizem que não está descartada a possibilidade de o ato ter sido cometido por dissidentes das Farc

"Como resultado do ataque, um policial de 31 anos ficou ferido. Ele foi levado à cidade de Cali e seu estado [de saúde] não foi divulgado", explicou a fonte, que ainda disse que os disparos começaram por volta de 8 horas (10 horas em Brasília). 

Após a entrega dos fuzis das Farc no fim de junho, a missão das Nações Unidas na Colômbia supervisiona o recolhimento e a destruição do armamento de guerrilha em mais de 770 esconderijos no país. 

O processo de recolher o armamento deve ser concluído até 1º de setembro e conta com o apoio da força pública colombiana. Também participam ex-combatentes das Farc, que foram a principal e mais antiga guerrilha da América Latina. 

O governo de Juan Manuel Santos e as Farc, em processo de transição para se tornar um movimento político legal, assinaram em novembro passado um acordo de paz, após quatro anos de negociações. 

Segundo o governo, cerca de 300 rebeldes não adotaram o pacto e se declararam em dissidência. Tanto o Executivo como as Farc consideram que eles permanecem armados por interesses econômicos relacionados ao narcotráfico. Os dissidentes não terão os benefícios do acordo de paz e serão tratados com bandidos comuns. / AFP

 

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