SAJJAD HUSSAIN/AFP
SAJJAD HUSSAIN/AFP

Equipe de resgate chega a um dos vilarejos isolados no Nepal

Socorristas alcançaram o distrito de Dhading, ao leste da capital Katmandu; governo diz que não pode avaliar magnitude de tragédia enquanto não alcançar outros vilarejos de difícil acesso

O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 09h17

KATMANDU - Uma equipe de resgate no Nepal chegou pela primeira vez nesta quarta-feira, 28, a um distrito montanhoso, quatro dias depois do terremoto que já matou mais 5 mil pessoas e deixou outras 11 mil feridas. Os primeiros socorros já alcançaram o distrito de Dhading, ao leste de Gorhka, perto do epicentro do terremoto e cerca de 80 quilômetros distante de Katmandu.

No entanto, ainda levará um tempo para que comida e outros suprimentos cheguem aos sobreviventes das comunidades remotas, que estão bloqueadas devido a deslizamentos de terra, disse uma autoridade do Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas, Geoff Pinnock.


Caminhões nas proximidades dos vilarejos estão carregados de sacos de arroz, óleo de cozinha e açúcar à espera de um helicóptero para levar os suprimentos às aldeias.

A agência de alimentos da Organização da ONU também aguardam para entregar os carregamentos de biscoitos em áreas que não possuem água para cozinhar, disse Pinnock.  

Avaliação. O governo do Nepal afirmou nesta quarta que ainda não pode avaliar a magnitude da tragédia nem quantificar o número total de mortos após o terremoto em razão da dificuldade de acesso à localidades remotos.

"Não somos capazes de quantificar a situação já que regiões inteiras foram afetadas em locais remotos. Não sabemos quantas pessoas estavam lá quando o terremoto ocorreu", disse o porta-voz do Ministério do Interior, Laxmi Prasad Dhakal. "Podemos ter milhares de vítimas a mais", disse Dhakal.

De acordo com o porta-voz, 1.200 feridos foram transportados de helicóptero para Katmandu para receber atendimento médico. As equipes de emergência ainda trabalham para liberar muitas estradas que foram bloqueadas após o tremor.

Os trabalhos de resgate, porém, continuam sendo atrapalhados pelo mau tempo e pela falta de capacidade do país em responder um desastre de tal magnitude, enquanto o tempo para encontrar sobreviventes está praticamente se esgotando. 

Manifestação. Mais de 200 nepaleses protestaram do lado de fora do Parlamento na capital Katmandu, exigindo do governo um aumento no número de ônibus a caminho das montanhas no interior e uma melhor distribuição de ajuda.

"Não tenho conseguido contactar integrantes da minha família no vilarejo", disse Kayant Panday, um dos manifestantes, que disse ter acordado às 4h da manhã para pegar um ônibus, mas não conseguiu embarcar. "Não tenho como obter informação se estão vivos ou mortos."

Com muitos nepaleses dormindo nas ruas em barracas improvisadas pela quarta noite seguida desde o terremoto, a população está cada vez mais irritada com a situação. "Esse é um desastre de escala sem precedentes. Houve algumas fraquezas na operação de resgate", reconheceu o ministro das Comunicações do Nepal, Minendra Rijal, na noite de terça-feira. "Vamos melhorar isso a partir de quarta-feira (hoje)." / AP, EFE e REUTERS

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