The New York Times
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Equipe que encontrou Titanic agora busca avião de Amelia Earhart

Avião da americana que realizava volta ao mundo sumiu em 1937; foto mostra trem de aterrissagem

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 21h43

Robert Ballard é especialista em encontrar coisas perdidas. Em 1985, encontrou o Titanic no fundo do Atlântico. Ele e sua equipe também localizaram o navio de guerra nazista Bismarck e, recentemente, encontraram 18 barcos naufragados no Mar Negro.

Ballard sempre quis encontrar os restos do avião que Amelia Earhart pilotava quando desapareceu em 1937, mas temia que sua busca terminasse sendo uma das várias outras realizadas em vão. No entanto, foram encontradas pistas tão convincentes que Ballard mudou de opinião. Agora, não apenas sabe onde estão os restos do avião como já zarpou com sua equipe rumo a um atol remoto na República de Kiribati, no Pacífico, com a missão de recuperá-los.

Se a exploração for bem-sucedida não apenas resolverá um dos maiores mistérios do século 20, mas dará oportunidade a Ballard, um explorador de 77 anos, de transferir seu legado de descobrimentos a uma nova geração de detetives oceânicos.

Em 2 de julho de 1937, quando faltava pouco para concluir sua volta ao mundo, a aviadora e o navegador Fred Noonan desapareceram no Pacífico. Após uma ampla busca, a Marinha dos EUA concluiu que os dois tinham morrido.

No entanto, em 2012, Kurt M. Campbell, que foi subsecretário de Estado para Assuntos de Ásia e Pacífico durante o governo Barack Obama, chamou Ballard para uma reunião. O explorador disse em uma entrevista recente que Campbell o recebeu em seu escritório e lhe mostrou uma fotografia.

Era uma imagem em preto e branco granulosa. “O que você está vendo?”, perguntou-lhe Campbell. “Respondi: ‘Uma ilha com um barco sobre um arrecife’. E ele me disse: ‘Não, o que você vê à esquerda?’.”

Ballard notou uma mancha. Então Campbell lhe entregou outra fotografia: a mesma imagem, mas com melhorias digitais. Campbell lhe disse que a mancha era um trem de aterrissagem de um Lockheed Electra L-10 e o arrecife era parte da Ilha Nikumaroro, uma  das praticamente desabitadas Ilhas Fênix. Aí estava o local preciso para a busca do avião de Amelia.

A fotografia foi feita pelo oficial britânico Eric Bevington em outubro de 1937, três meses após o desaparecimento da aviadora. Bevington e sua equipe estavam explorando a Ilha Gardner, que agora se chama Nikumaroro, onde anos antes havia naufragado um cargueiro britânico.

Décadas depois, o Grupo Internacional para a Recuperação de Aviões Históricos (Tighar), recebeu as imagens de Bevington. A fascinação pelo desaparecimento de Amelia provocou várias teorias, algumas muito fantasiosas, como a de que ela era uma espiã americana e tinha sido capturada pelos japoneses ou que sobreviveu ao acidente e passou o restante de sua vida com uma identidade falsa como uma dona de casa em New Jersey.

Os que acreditam que ela caiu em Nikumaroro afirmam que faz sentido, pois faz parte da rota de navegação planejada por Amelia. A expedição será financiada pela National Geographic, que registrará o progresso da embarcação Nautilus e sua tripulação para um programa, que será transmitido em 20 de outubro. / NYT

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