Reuters TV / Reuters
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Número de mortos em naufrágio na Tanzânia chega a 136; buscas continuam

Balsa naufragou com quase 200 pessoas a bordo, o dobro de sua capacidade; dezenas foram resgatadas, mas estado de alguns sobreviventes é ‘muito preocupante’

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 07h19
Atualizado 21 Setembro 2018 | 20h51

NAIRÓBI - As equipes de resgate da Tanzânia seguem nesta sexta-feira, 21, em busca dos desaparecidos após o naufrágio de uma balsa no Lago Victoria, o maior da África. Até agora, 136 pessoas morreram no acidente, segundo a rádio pública TBC Taifa, citando o chefe de polícia tanzaniano, Simon Sirro. O balanço anterior era de 86 mortos e 40 sobreviventes.

A balsa MV Nyerere naufragou na tarde de quinta-feira com quase 200 passageiros a bordo - o dobro de sua capacidade - perto da Ilha de Ukara, ao sul do lago, informou a Agência de Serviços Elétricos e Mecânicos da Tanzânia.

Segundo a emissora TBC, 40 pessoas foram resgatadas e estão em estado crítico. O governador da Província de Mwanza, John Mongella, afirmou que o estado de alguns sobreviventes é “muito preocupante”.

As operações de resgate foram suspensas durante a noite, mas devem ser retomadas neste sábado, 22. “Continuamos recuperando corpos”, afirmou o comandante de polícia, Simon Sirro a uma rádio local.

De acordo com testemunhas citadas por um canal de TV estatal, centenas de pessoas subiram na balsa na ilha de Bugorora. Era um dia dedicado ao mercado e vários passageiros estavam carregados com mercadorias. A mídia local informou a capacidade oficial da balsa era de 100 pessoas, mas, segundo autoridades, a embarcação transportava mais de 200 passageiros quando virou. Por isso, o número de vítimas pode aumentar.

A causa do acidente ainda não foi determinada, mas naufrágios desse tipo são frequentemente atribuídos à sobrecarga. Acredita-se que, neste caso, a embarcação tenha tombado quando as pessoas a bordo se moveram para um dos lados quando ela atracou.

“Não sei nada sobre meu pai e meu irmão mais novo, que estavam na balsa. Eles foram ao mercado de Bugorora para comprar uniformes do colégio e material escolar para o ano letivo”, afirmou Domina Maua, uma das pessoas que procuravam informações sobre parentes.

O presidente da Tanzânia, John Magufuli, manifestou “profunda tristeza” com o desastre e pediu aos moradores que “permaneçam tranquilos em um momentos difícil”. Ele ordenou, em um discurso, a prisão dos responsáveis pela balsa. “Parece claro que a embarcação ultrapassou sua capacidade”, declarou o presidente na TV estatal. “Eu ordenei a prisão de todas as pessoas envolvidas na administração da balsa. E as prisões já começaram.”

A oposição, no entanto, acusou o governo de negligência. “Muitas vezes alertamos para as condições ruins das balsas, mas o governo nos ignorou. Várias vezes denunciamos este tipo de negligência”, afirmou John Mnyika, líder do Chadema, principal partido de oposição. / AFP e REUTERS

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A oposição acusa o governo de negligência. "Muitas vezes alertamos para as condições ruins das balsas, mas o governo ignorou. Várias vezes denunciamos esta negligência", disse John Mnyika, líder do Chadema, principal partido opositor. Ele disse que sobrecarga na embarcação reflete "outra falha das autoridades" e criticou os trabalhos de resgate "insuficientes".

Há seis anos, 144 pessoas morreram ou foram consideradas desaparecidas quando uma balsa sobrecarregada naufragou na Ilha de Zanzibar. / AFP

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