Equipes encontram 13º corpo em navio na Itália

Autoridades italianas admitem que transatlântico pode ter naufragado com clandestinos, o que aumentaria o número de vítimas da tragédia

ROMA, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h02

Após o resgate do corpo de uma mulher do navio Costa Concordia, o número de mortos no naufrágio subiu ontem para 13 - apenas oito foram identificados: quatro de franceses, um italiano, um húngaro, um alemão e um espanhol. Segundo autoridades italianas, há suspeitas de que haviam passageiros não registrados a bordo, o que aumentaria o número de vítimas.

"Pode haver um certo número de clandestinos a bordo do navio", disse Franco Gabrielli, oficial de proteção civil encarregado do resgate. Segundo ele, familiares de uma mulher húngara disseram às autoridades italianas que ela havia telefonado de dentro do navio, mas que não tinha dado notícias desde o acidente. Com isso, a lista oficial de desaparecidos aumentou para 21.

Os trabalhos de resgate ainda enfrentavam ontem os mesmos desafios. Afundando em ritmo constante, o Costa Concordia está a poucos metros de um abismo de 70 metros. A ameaça de queda coloca em risco as equipes de mergulhadores.

Além disso, como o acidente ocorreu logo no começo da viagem, os reservatórios estavam cheios - há cerca de 2,4 mil toneladas de combustível nos tanques do transatlântico. No caso de uma queda, os compartimentos podem se romper, contaminando a Ilha de Giglio e, possivelmente, outras partes do arquipélago.

O entorno da Ilha de Giglio é um parque natural marítimo conhecido por águas claras que abrigam uma variada vida submarina. A região é tida como um excelente local para a prática do mergulho. Segundo Gabrielli, os poluentes encontrados, por enquanto, não são preocupantes. "São compatíveis com aqueles encontrados em um porto, por exemplo", disse.

O capitão do navio, Francesco Schettino, continua em prisão domiciliar. Ontem, investigadores continuaram os trabalhos para determinar se ele foi ou não responsável pelo acidente e por ter abandonar o navio enquanto muitos passageiros ainda estavam a bordo.

A Costa Crociere, operadora do navio, uma subsidiária da Carnival Cruise Lines, com sede nos EUA, declarou ontem que Schettino desviou a rota do navio sem permissão, em uma aparente manobra para navegar próximo à ilha e impressionar os passageiros.

Schettino, apesar das gravações comprometedores de suas conversas com a Guarda Costeira, nega que tenha abandonado suas funções. Ele afirma que o impacto o lançou no mar e garante que coordenou o resgate de um bote salva-vidas. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.