Equipes encontram 6º corpo em navio naufragado na Itália

Itamaraty revisa de 53 para 57 o número de brasileiros no Costa Concordia.

BBC Brasil, BBC

16 de janeiro de 2012 | 08h39

Equipes de resgate encontraram mais um corpo de um homem no navio de cruzeiro Costa Concordia, que naufragou na noite de sexta-feira próximo à ilha de Giglio, na Toscana, Itália, aumentando o número de vítimas de cinco para seis pessoas.

O corpo foi encontrado em um dos corredores do navio na madrugada desta segunda-feira. As autoridades italianas informaram que ele provavelmente era um passageiro devido ao tipo de colete salva-vidas que usava.

Outras 15 pessoas ainda estão desaparecidas e os mergulhadores estão tentando encontrar mais sobreviventes.

No domingo, as equipes de resgate recuperaram os corpos de dois homens idosos presos em uma área inundada do navio, que tombou lateralmente.

O navio de cruzeiro - que levava mais de 4.200 pessoas - naufragou na noite de sexta-feira após se chocar com uma rocha.

O mau tempo está prejudicando o trabalho das equipes de resgate, que estão fazendo buscas em centenas de cabines inundadas do navio.

"Estamos percorrendo todas as cabines do navio, procurando por sinais de vida, pessoas gritando ou qualquer barulho", afirmou o porta-voz do Ministério do Interior italiano, Francesco Paulo Tronca.

"É uma operação difícil, estamos falando de cerca de centenas e centenas de cabines em vários decks diferentes."

Nesta segunda-feira, o Itamaraty atualizou o número de brasileiros presentes no navio de 53 para 57 pessoas, sendo seis tripulantes do Costa Concordia.

'Erros de julgamento'

A empresa que opera o navio que afundou na Itália afirmou, no domingo, que investigações iniciais indicam que erros cometidos pelo capitão do cruzeiro causaram o acidente.

De acordo com a Costa Cruzeiros, Francesco Schettino teria conduzido a embarcação perto demais da costa, além de não seguir os procedimentos de segurança determinados pela empresa.

"Aparentemente, o comandante cometeu erros de julgamento que tiveram graves consequências", dizia o comunicado da empresa.

Schettino é suspeito de homicídio doloso (sem a intenção de matar) e nega todas as acusações. Ele está sendo questionado pela polícia e alega que o sistema de navegação não mostrava obstáculos no local do acidente.

Schettino negou as acusações de que teria deixado a embarcação sem prestar auxílio aos passageiros e afirmou que só deixou o navio após terminar o processo de retirada dos ocupantes.

Em uma entrevista transmitida pela TV italiana, ele foi questionado se seguiu a máxima de que "o capitão é o último a deixar o barco". "Fomos os últimos a deixar o navio", respondeu.

O capitão afirmou ainda que, de acordo com as informações de que tinha no momento do acidente, as rochas que provocaram a ruptura do casco do navio não foram detectadas pelo sistema de navegação automática da embarcação.

Segundo ele, as cartas náuticas não teriam indicado a presença de rochas no local. "Não deveríamos ter tido esse impacto', afirmou. "Pelas informações que tinha, estávamos a mais ou menos a 300 metros das rochas."

Lua de mel

No domingo, os mergulhadores que vasculhavam a embarcação encontraram dois corpos, de dois homens. Três corpos já haviam sido encontrados no sábado - de dois passageiros franceses e um tripulante peruano

Outras três pessoas haviam sido encontradas dentro do navio com vida: um casal sul-coreano em lua de mel e um tripulante, que sofreu ferimentos na perna.

A maioria dos ocupantes do navio era de italianos, alemães e franceses.

A embarcação havia deixado o porto de Civitavecchia na manhã de sexta-feira para um cruzeiro de uma semana pelo Mediterrâneo.

Caos

Muitos sobreviventes relataram cenas de pânico e muita falta de organização na retirada dos passageiros após o choque.

Alguns pularam na água gelada e nadaram os cerca de 300 metros que separavam a embarcação de terra firme. Outros se abrigaram no deck do navio e foram retirados de helicóptero.

Também houve relatos de que a tripulação não teria comunicado corretamente as instruções para a saída do navio.

Vários sobreviventes disseram que tiveram de engatinhar pelos corredores já inclinados e compararam o acidente ao naufrágio do Titanic, em 1912, no qual mais de 1.500 pessoas morreram. O Titanic levava 2228 pessoas a bordo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.