Equipes já resgataram 66 corpos na Polônia

As equipes que trabalham no resgate das vítimas do desabamento do teto do Centro Internacional de Exposições de Katowice, na Polônia, já encontraram 66 corpos, número que deve aumentar, já que não se ouvem mais gritos de pedido de socorro.As temperaturas entre -15 e -20 graus Celsius na noite do sábado podem ter sido catastróficas, apesar de as equipes de resgate terem continuado as buscas de sobreviventes.O edifício - onde acontecia uma exposição internacional de pombos-correio - desabou quando havia de 500 a mil pessoas no local, das quais 160 delas já foram transferidas para hospitais da região.Durante toda a noite, para que as vítimas tentassem resistir à morte por congelamento, os bombeiros jogaram jatos de ar quente na área atingida.O primeiro-ministro polonês, Kazimierz Marcinkiewicz, que interrompeu suas férias de inverno para acompanhar as operações de resgate em Katowice, anunciou que será formada uma comissão especial para investigar o acidente.O porta-voz do governo já tinha lembrado que, há apenas duas semanas, foi divulgada uma nota, dirigida à administração local, advertindo sobre a necessidade de limpar os telhados devido à neve acumulada durante a última onda de frio que atingiu a Polônia.Os bombeiros e a polícia acreditam que o teto da nave principal do Centro Internacional de Exposições, um edifício de 150 metros de comprimento por 100 de largura, aconteceu devido ao peso da grossa camada de neve acumulada sobre o telhado."Eu senti algo estranho. Corri em direção à saída pedindo aos gritos que as pessoas que estavam perto de mim escapassem do edifício", relatou Stanislaw Wakerman, um dos muitos moradores de Katowice que foram à feira para ver a exposição de pombos-correio. Segundo ele, quase ninguém deu atenção, pois o volume da música do grupo que animava o encontro era muito alto.A operação de resgate começou quase imediatamente depois do acidente, já que Katowice, capital da região mineira da Silésia, tem experiência com catástrofes nas minas e equipes preparadas 24 horas para ajudar os operários soterrados nas galerias das explorações.Mineiros que trabalhavam em jazidas perto do local se juntaram aos bombeiros, cerca de 70 grupos de operação e mais de 300 policiais, num total 1.350 pessoas, colaboraram na retirada de escombros e no salvamento das pessoas enterradas.Mas a temperatura de 12 graus abaixo de zero, chegando a 15 graus negativos de madrugada, tornou a operação de resgate muito difícil, situação agravada por causa da impossibilidade de usar diretamente equipamentos pesados."Não podemos usar esses equipamentos para retirar os escombros, pois existe o risco de derrubar outras estruturas do edifício que ainda se mantêm de pé", disse o general Janusz Skulich, chefe dos bombeiros da Silésia.Os trabalhos de socorro continuam, mas sem esperanças de encontrar pessoas com vida. Os cães treinados, no total 16, rastrearam o local do acidente, mas não detectaram mais sinais de vida. "A possibilidade de encontrarmos algum sobrevivente é praticamente zero", disse Skulich. O presidente polonês, Lech Kaczynski, decretou luto no país, e o prefeito de Katowice também anunciou três dias de luto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.