Equipes resgatam mais dois corpos do voo da AirAsia

Ao todo, 39 corpos já foram retirados do mar de Java, sendo que 16 foram identificados; buscas pelas caixas-pretas continuam

O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2015 | 14h07

BANGCOC - As equipes de resgate da Indonésia recuperaram, até agora, 39 dos 162 corpos das vítimas do voo da AirAsia, que caiu no mar de Java há nove dias, disseram nesta terça-feira, 6, fontes oficiais. Hoje foram recuperados dois corpos, elevando para 39 o número total de corpos retirados da água, alguns ainda em seus assentos, sendo que 16 foram identificados.

As buscas por mais vítimas e pelas caixas-pretas do avião, que permite às autoridades aéreas esclarecer as causas do acidente, continuam, mas ondas de até três metros e as fortes correntes dificultam a tarefa dos mergulhadores.

Desde o fim de semana, os mergulhadores e veículos não-tripulados tentam confirmar que cinco grandes objetos localizados com radares a cerca de 30 metros de profundidade pertencem ao voo QZ8501. O mar de Java, palco de várias batalhas navais durante a Segunda Guerra Mundial, tem vários restos de navios em seu fundo marinho.

As famílias, a companhia aérea e o governo aguardam com ansiedade pelas caixas-pretas do Airbus 320-200. A agência meteorológica indonésia sugeriu que a causa mais provável do acidente tenha sido uma falha do motor devido ao gelo formado quando o avião atravessou uma nuvem.

Suspensão. O Ministério de Transportes da Indonésia anunciou a suspensão de quatro operações aéreas no aeroporto da cidade de Surabaia, de onde partiu o avião com destino a Cingapura. As autoridades locais asseguram que a companhia de baixo custo não tinha permissão para a rota Surabaia-Cingapura no domingo, quando ocorreu o acidente.

O diretor-geral para transporte aéreo, Djoko Murjatmodjo, afirmou na noite de segunda-feira que o Ministério ordenou a "suspensão de todo o pessoal relacionado" com as atividades do voo QZ8501, segundo o jornal Jakarta Post. "Se, depois da avaliação, outra companhia aérea estiver voando com uma agenda não aprovada, é uma violação que acarretará a suspensão", disse Murjatmodjo.

O Ministério de Transporte, além disso, deve impor reuniões informativas obrigatórias para os pilotos sobre as condições climatológicas da rota antes da decolagem.

O voo QZ8501 decolou da cidade de Surabaia, na ilha de Java, em 28 de dezembro e deveria aterrissar cerca de duas horas depois em Cingapura, mas caiu no mar de Java 40 minutos após partir.

O piloto chamou a torre de controle na Indonésia quando sobrevoava o mar de Java pelo sul de Bornéu e solicitou permissão para virar para esquerda e subir dos 32 mil pés de altitude (9,76 quilômetros) até os 38 mil (11,59 quilômetros) para fugir da tempestade.

A torre de controle aprovou o movimento no momento, mas minutos depois chamou o piloto para aprovar uma ascensão só até os 34 mil pés e não conseguiu estabelecer contato. A aeronave transportava 155 passageiros indonésios e 7 tripulantes, sendo três sul-coreanos, um britânico, um francês, um malaio e um cidadão de Cingapura.

Em janeiro de 2007, um Boeing 737-400 da antiga companhia aérea Adam Air sofreu um acidente com 102 pessoas a bordo no mar de Java. Os restos foram achados dez dias depois e as investigações revelaram que os pilotos tinham desligado por erro o piloto automático enquanto tentavam resolver um problema no painel de navegação. /EFE

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