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Era Trump: A guerra comercial de mentirinha

Gigantesco poder de compra dos americanos – quase um “monopsônio”, no jargão dos economistas – deu vantagem a Trump

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2018 | 05h00

O jogo de tarifas e retaliações desencadeado pelo governo Donald Trump parece mais a “drôle de guerre”, a guerra de mentirinha do começo da 2.ª Guerra, do que uma batalha sangrenta por empregos e mercados.

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De saída, o gigantesco poder de compra dos americanos – quase um “monopsônio”, no jargão dos economistas – deu vantagem a Trump. A China sofreu sanções de US$ 60 bilhões (nem 3% das importações), mas retaliou em apenas US$ 3 bilhões.

Ao reagir às novas tarifas do aço e do alumínio, a União Europeia (UE) ficou mais preocupada em impor salvaguardas às importações sul-coreanas e chinesas que em punir os americanos. Indiretamente, prejudicou a China, como queria Trump. A Coreia do Sul aceitou os termos impostos pelos americanos para abrir exceções. O Brasil deverá seguir o mesmo caminho.

Mas isso não quer dizer que Trump vencerá. A economia não é um jogo de soma zero. Nas infinitas rodadas do comércio internacional, quem impõe barreiras ou reage por vingança sai perdendo. Mais sofisticados, os chineses dispõem de outras formas de retaliar os americanos – de disputas marítimas e territoriais ao mercado financeiro. A briga ainda nem começou.

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Mais uma jogada do Facebook

A ruptura do Facebook com fornecedores comerciais de dados, como Axciom ou Experian, não aumenta a privacidade dos usuários. A esta altura, a rede social dispõe de informações mais detalhadas que eles para oferecer aos anunciantes. Para que esperar listas defasadas de quem compra fraldas se toda mamãe põe lá a foto de seu bebê assim que nasce? Quanto ao uso político, os partidos têm os dados comerciais de todos os eleitores desde pelo menos 2001, quando Alexander Gage – o criador da “microssegmentação” – os incluiu na base usada na campanha à reeleição de George W. Bush.

Matemática contra o ‘gerrymandering’

O redesenho dos mapas eleitorais americanos em linhas demográficas que favorecem o partido no governo estadual, prática conhecida como “gerrymandering”, é um assunto em geral desprezado pela Suprema Corte americana, que recentemente rejeitou rever os distritos da Pensilvânia. Mas ela aceitou examinar dois outros casos – um contra o governo democrata de Maryland, outro contra o republicano de Wisconsin – que podem transformar o entendimento jurídico do tema. A maior dificuldades dos juízes é a prevenção contra os modelos matemáticos que resolveriam a questão em definitivo.

Um novo mandato para Putin

Pela Constituição russa, Vladimir Putin não pode concorrer a novo mandato em 2024. Mas não aceitará deixar o poder. Difícil que volte a pôr um fantoche em seu lugar, como fez com Dmitri Medvedev em 2008. Deverá optar entre duas saídas: tornar-se primeiro-ministro com uma mudança constitucional que lhe garanta plenos poderes (como fez Recep Erdogan na Turquia) ou acabar com os limites à reeleição (como fez Xi Jinping na China). A mais provável, diz a Foreign Affairs, é a última.

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Preço dos ovos dispara nos Estados Unidos

Nas cinco semanas antes da Páscoa, mais que dobrou o preço do ovo de galinha nos Estados Unidos, onde é usado na decoração de cestas e em jogos infantis. Mesmo assim, diz o Washington Post, ovos ainda são vendidos no supermercado abaixo do preço de custo, como chamariz para outros produtos mais lucrativos.

Dez pragas do mundo moderno

A Hagadá, livro lido todo ano em Pessach, a páscoa judaica, celebra o êxodo dos hebreus do Egito. Um trecho relata as dez pragas lançadas sobre o faraó: sangue, rãs, piolhos, bichos peçonhentos, peste dos rebanhos, sarna, granizo, gafanhotos, trevas e morte dos primogênitos. A revista Tablet produziu este ano uma Hagadá em que reúne dez pragas do mundo moderno:

– Cozinha sous-vide;

– Andar teclando, sem prestar atenção ao que o cachorro faz (ou fez…);

– Preenchimento labial exagerado;

– Respostas com cópia para todos;

– Férias compartilhadas em fotos e filmes;

– Empreendedorismo (ninguém quer mais aprender violino?);

– Opiniões de celebridades;

– Costas com dor crônica, graças aos treinos da moda;

– Bate-boca no Twitter;

– Balões de aniversário gigantes.

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