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Erdogan admite convocar referendo para amenizar protestos

Premiê, que descreveu os manifestantes como 'gentalha', deve fazer reunião para discutir a crise

O Estado de S. Paulo,

12 Junho 2013 | 16h22

ISTAMBUL - O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, admitiu nesta quarta-feira, 12, a possibilidade de convocar um referendo sobre a revitalização da Praça Taksim, no centro de Istambul, que detonou a onda de protestos contra o seu governo.

Erdogan, que descreveu os manifestantes como "gentalha", deve se encontrar com um grupo de figuras públicas para discutir a crise. "Se as pessoas têm objeções... então se engajar em um diálogo com essas pessoas, escutar o que elas têm a dizer é, sem dúvida, nosso dever", disse o presidente da Turquia, Abdullah Gul a repórteres.

Gul, que assumiu um tom mais conciliador do que o do premiê durante os tumultos, disse que era dever do governo se engajar com seus críticos, mas chegou a dizer que os protestos eram uma questão diferente. "Quem emprega violência é diferente e precisamos distingui-los... Não devemos dar uma chance à violência... Isso não seria permitido em Nova York, isso não seria permitido em Berlim", acrescentou o presidente.

A tropa de choque entrou em confronto durante a noite com manifestantes ao tentar esvaziar a Taksim. Ao amanhecer, a praça estava repleta de destroços das barricadas demolidas, mas táxis a cruzavam pela primeira vez desde que os problemas começaram. Várias centenas de pessoas continuavam acampadas em barracas.

Taksim Solidarity, um grupo que reúne manifestantes, disse que a delegação que vai se reunir com Erdogan não era representativa e o encontro, apenas simbólico. "Se o Solidarity tivesse falado com alguém neste grupo para compartilhar informações, o encontro com o primeiro-ministro teria significado. Agora, não tem", disse Bulent Muftuoglu, figura de liderança no Solidarity e autoridade do Partido Verde da Turquia.

Centenas de advogados lotaram o saguão de entrada do Palácio da Justiça de Istambul, gritando slogans de protesto contra a detenção de seus colegas na véspera em uma manifestação de apoio aos protestos do Parque Gezi. "Promotor, renuncie", "Todo lugar é Taksim, todo lugar é resistência", "lado a lado contra os fascistas", gritavam os advogados, vestidos com as becas do tribunal, alguns brandindo os punhos, outros aplaudindo.

"A polícia está intervindo de modo ilegal contra cidadãos que estão exercendo seu direito constitucional e democrático de protestar", disse o presidente da Associação de Advogados de Istambul, Umit Kocasakal, em um comunicado para a multidão. /REUTERS e AP

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