AFP PHOTO / TURKISH PRESIDENTIAL PRESS SERVICE
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Erdogan ameaça ampliar ofensiva turca contra curdos no norte da Síria

Objetivo do presidente turco seria eliminar a presença da milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG), considerada por ele como ‘terrorista’

O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2018 | 11h41

ANCARA - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou nesta sexta-feira, 26, estender a ofensiva no enclave de Afrin para outras cidades do norte da Síria, visando eliminar a presença de uma milícia curda considerada por ele como "terrorista".

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No sétimo dia de operações, em pronunciamento transmitido pela televisão, o líder turco prometeu "limpar" Manbij, cidade localizada a algumas centenas de quilômetros do leste de Afrin, e "não deixar nenhum terrorista até a fronteira iraquiana".

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Após a ofensiva de Afrin, batizada de "Ramo de Oliveira", "limparemos Manbij dos terroristas", garantiu Erdogan, no sétimo dia da operações realizadas pelo Exército turco e rebeldes sírios pró-Ancara no território curdo na Síria.

O objetivo da operação é expulsar de Afrin a milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG), considerada "terrorista" por Ancara, mas aliada dos EUA na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Enquanto os rebeldes sírios apoiados por Ancara tentam desde sábado pressionar as linhas curdas com a ajuda da aviação e artilharia turcas, a administração semi-autônoma de Afrin pediu na quinta-feira que o regime de Damasco atue para impedir esses ataques.

A operação turca reforçou as tensões entre Ancara e Washington, e as declarações de Erdogan podem piorar ainda mais a relação entre os dois países. "Depois, continuaremos nossa luta até que não reste nenhum terrorista até a fronteira iraquiana", acrescentou ele.

Essas declarações marcam um endurecimento no discurso oficial da Turquia. Até então, Ancara concentrava sua luta contra a presença das YPG ao oeste do Eufrates, onde estão Afrin e Manbij. Agora, porém, parece determinada a agir também ao leste do rio, na direção da fronteira iraquiana.

Além de Manbij, as forças americanas estão presentes ao lado das YPG em várias regiões ao leste do Eufrates.

Em conversa por telefone na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, teria dito a Erdogan para evitar "qualquer ação que possa provocar um confronto entre as forças turcas e americanas".

"Alguns nos pedem com insistência para que façamos o necessário para que esta operação seja curta (...). Esperem. Começou há sete dias. Quanto tempo durou o Afeganistão? Quanto tempo durou o Iraque?", rebateu Erdogan nesta sexta-feira.

Reiterando suas críticas ao apoio - especialmente logístico - dos EUA às YPG, o presidente turco declarou que "os terroristas passeiam pela região com bandeiras americanas".

Com as ameaças de Erdogan contra Manbij, "uma confrontação militar direta entre o Exército turco e as forças americanas é possível", alertou Anthony Skinner, analista do escritório de consultoria Verisk Maplecroft, para quem as relações Ancara e Washington estão "à beira do precipício".

Os curdos da Síria, marginalizados há tempos no país, aproveitaram a retirada das forças de Damasco do norte no início do conflito, em 2011, para estabelecer sua autonomia a partir de 2012.

Além disso, em favor de sua aliança com os EUA, os combatentes curdos expandiram seus territórios, para o incômodo da Turquia, que os vê como uma ameaça à sua segurança. / AFP

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