Erdogan atrai críticas por comentários sobre sionismo

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, foi alvo de duras críticas por ter declarado que o sionismo equivale a um crime contra a humanidade. A declaração foi feita durante uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) para a promoção do diálogo entre diferentes crenças.

Agência Estado

01 de março de 2013 | 14h38

Durante uma conferência da Aliança das Civilizações da ONU em Viena, nesta semana, Erdogan reclamou do preconceito contra os muçulmanos. Ele disse que a islamofobia deveria ser considerada um crime contra a humanidade "assim como o sionismo, o antissemitismo e o fascismo".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou duramente a declaração na noite de quinta-feira, chamando-a de "observação sombria e mentirosa, do tipo que acreditávamos que já tivesse acabado neste mundo". Os Estados Unidos e a ONU também fizeram críticas.

Em Washington, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor, disse que a caracterização sobre sionismo, o movimento para o estabelecimento e manutenção do Estado Judeu, é "ofensivo e errado".

"Nós encorajamos as pessoas de todas as crenças, culturas e ideias que denunciem ações detestáveis e superem as diferenças de nossos tempos", disse ele.

O alvoroço provocado pela declaração ameaça ofuscar a visita que Kerry faz à capital turca, onde esperava passar a maior parte do tempo discutindo a crise na vizinha Síria, além de coordenar planos com os turcos para enviar ajuda para a oposição síria, que luta para derrubar o presidente Bashar Assad.

Mas Kerry foi de Roma para Ancara nesta sexta-feira com a controvérsia em pleno andamento. Uma graduada autoridade que acompanha o secretário de Estado disse, em condição de anonimato, que ele vai levantar a questão em reuniões com Erdogan e o ministro de Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu.

A deterioração das relações entre Turquia e Israel tem sido fonte de profunda preocupação para os Estados Unidos, que tentou, sem sucesso, fazer os dois países voltarem a manter relações amigáveis.

Um comunicado da ONU diz que "se o comentário sobre o sionismo foi interpretado corretamente, então não foi apenas errado, mas contradiz os princípios sobre os quais a Aliança para Civilizações está baseada".

O comunicado diz que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "acredita que é lamentável que tais observações dolorosas e divisoras tenham sido proferidas em uma reunião realizada sob o tema da liderança responsável.'''' As informações são da Associated Press.

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