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Erdogan critica rompimento de árabes com o Catar e pede mais diálogo

Presidente turco qualificou de 'muito grave' acusação contra o país; ao mesmo tempo, o governo da Jordânia anunciou que reduzirá sua representação diplomática em Doha

O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 19h03

ISTAMBUL - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou nesta terça-feira, 6, as sanções que Arábia Saudita e outros países árabes impuseram ao Catar, e pediu mais diálogo para resolver a crise.

"Quero dizer que não me parecem certas as sanções contra o Catar", afirmou o governante turco durante um discurso após o tradicional jantar de Ramadã, transmitido ao vivo pela emissora turca NTV.

"As questões devem ser resolvidas dialogando. Nós manteremos as nossas relações com o Catar. Faremos o que estiver ao nosso alcance para resolver a crise que vive o Golfo", acrescentou o presidente turco.

Na segunda-feira, Arábia Saudita, Bahrein, Emirados, Iêmen e Egito, seguidos pelas Maldivas, romperam relações diplomáticas com o Catar, país que acusam de apoiar o terrorismo e de ameaçar a estabilidade do Oriente Médio.

Erdogan qualificou a acusação de "muito grave" e "difícil de acreditar", e atribuiu o surgimento repentino da crise a um "obscuro jogo político".

"Nos meus 15 anos de mandatos como premiê e presidente conheci de perto (o Catar). Se tivesse ocorrido algo assim eu teria sido o primeiro chefe de Estado a tomar conhecimento. Mas não vi nada assim", declarou Erdogan.

"Estão jogando um jogo diferente, mas quem está por trás é algo que ainda não pudemos determinar", completou.

O presidente turco destacou ainda que conversou com vários líderes mundiais por telefone para tentar resolver a crise.

Erdogan citou especialmente o presidente francês, Emmanuel Macron; o indonésio Joko Widodo; o rei do Barhein, Hamad bin Isa al-Khalifa; o monarca jordaniano, Abdullah II; o premiê libanês, Saad Hariri, e o da Malásia, Najib Tun Abdul Razak. 

Restrição. No entanto, o governo da Jordânia anunciou nesta terça-feira que vai reduzir sua representação diplomática no Catar. A agência estatal de notícias jordaniana, Petra, informou que o porta-voz do governo, Mohamed Mumani, disse a decisão foi tomada após a monarquia "estudar os motivos da crise nas relações" entre os outros países e o Catar.

Além disso, Mumani disse que a Jordânia anulará a licença da emissora de televisão catariana Al-Jazeera no reino, da mesma forma que já tinham feito a Arábia Saudita e o Egito, por sua linha editorial.

O porta-voz jordaniano assegurou que "o governo deseja superar esta fase desafortunada e solucionar a crise sobre bases sólidas que garantam a cooperação de todos os países árabes para um futuro melhor para os povos".

A Jordânia é um país aliado dos quatro Estados que tomaram a iniciativa ontem e costuma alinhar-se com as monarquias sunitas conservadoras do Golfo Pérsico e com o Egito. / EFE 

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