EFE/Turkish President Press Office
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Erdogan diz não respeitar decisão judicial de libertar jornalistas

Os dois jornalistas, firmes opositores ao governo de Recep Tayyip Erdogan, foram acusados de espionagem, divulgação de segredos de Estado e tentativa de golpe de Estado e, por isso, foram presos no fim de novembro

O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2016 | 19h03

ANCARA - O presidente turco Recep Tayyip Erdogan afirmou neste domingo que não respeita a decisão da Corte Constitucional de libertar dois jornalistas presos após publicarem um artigo sobre a entrega de armas de Ancara a combatentes islâmicos sírios. 

"Não posso aprovar esta decisão. E digo muito claramente: não a respeito", afirmou à imprensa. "Acredito firmemente na defesa da liberdade de expressão. Mas não acho que a liberdade de expressão possa ser utilizada para atacar o país de forma encoberta. E isso não se trata de liberdade de expressão, e sim de um assunto de espionagem", sentenciou.

Os dois jornalistas turcos foram libertados na sexta-feira. Can Dündar, redator-chefe do jornal opositor Cumhuriyet, e Erdem Gül, chefe de redação do jornal em Ancara, foram libertados depois que a Corte Constitucional se pronunciou a seu favor, denunciando uma violação dos direitos dos jornalistas.

Os dois jornalistas, firmes opositores ao governo de Recep Tayyip Erdogan, foram acusados de espionagem, divulgação de segredos de Estado e tentativa de golpe de Estado e, por isso, foram presos no fim de novembro.

Concretamente, foram acusados de difundir um artigo e um vídeo que mostram como policiais interceptaram em janeiro de 2014 na fronteira síria caminhões pertencentes aos serviços secretos turcos (MIT), carregados de armas destinadas a rebeldes islamitas na Síria.

A matéria enfureceu Erdogan, que nega qualquer apoio a esses grupos. As autoridades alegaram que os caminhões levavam ajuda para os povoados de língua turca na Síria. / AFP 

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