Adem Altan/AFP
Adem Altan/AFP

Após falar com Trump, Erdogan conversa com Putin para reverter escalada militar na Síria

Presidente da Rússia dialogou com líderes por telefone após ataque que deixou 33 soldados turcos mortos

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 16h37
Atualizado 28 de fevereiro de 2020 | 18h28

A Turquia e a Rússia tentavam nesta sexta-feira, 28, desativar uma escalada militar que poderia implodir a situação precária na Síria, onde ataques e represálias entre as forças turcas e o regime de Damasco causaram dezenas de mortes na região fronteiriça de Idlib.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan e seu colega russo Vladimir Putin falaram ao telefone e ambos expressaram sua "séria preocupação" com a situação no noroeste da Síria, e decidiram estudar a "possibilidade de realizar uma cúpula em breve".

Na quinta-feira, 27, pelo menos 33 soldados turcos foram mortos em ataques do regime de Damasco, protegido por Moscou. Em uma série de intensos ataques de retaliação, as forças de Ancara mataram 31 combatentes sírios na sexta-feira.

Ao cair da noite, o Ministério da Defesa turco relatou uma nova baixa em suas fileiras. A Turquia "continua atacando os objetivos do regime" em Damasco, disse o tweet.

Enquanto conversava com Putin, Erdogan também estava tentando mobilizar apoio diplomático dentro da OTAN, conversando com seu colega americano, Donald Trump, e ameaçando seus vizinhos europeus ao permitir a entrada de milhares de migrantes que procuram desesperadamente refúgio na Europa.

Trump expressou suas "condolências" a Erdogan pelas baixas, a maior que a Turquia sofreu em um único ataque desde o início de sua intervenção na Síria em 2016.

"Os dois líderes concordaram que o regime sírio, a Rússia e o regime iraniano devem parar sua ofensiva antes que mais civis inocentes sejam mortos e deslocados", explicou a Casa Branca.

Essa escalada pode agravar a situação humanitária, que já é catastrófica, em Idlib, de onde cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas pela ofensiva realizada na região pelo regime de Damasco com a ajuda da Rússia.

A seriedade da situação na Síria levou o Conselho de Segurança da ONU a convocar uma reunião de emergência nesta sexta-feira. Erdogan também falou com a chanceler alemã Angela Merkel, que condenou os "ataques brutais" contra as forças turcas. Em termos semelhantes, Londres foi declarada e Paris expressou sua "solidariedade" a Ancara.

Os confrontos entre as forças turcas e sírias abriram uma brecha entre Ancara e Moscou, que apesar de seus interesses divergentes, fortaleceram sua cooperação nos últimos anos em questões que incluem a própria Síria, energia ou defesa.

A guerra na Síria, desencadeada em 2011 com a repressão de manifestações pacíficas, deixou mais de 380.000 mortos. /AFP

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