MOHAMMED AL-SHAIKH / AFP
MOHAMMED AL-SHAIKH / AFP

Erdogan exige que sauditas provem que não mataram jornalista desaparecido

Ainda nesta segunda-feira, as autoridades turcas pediram para revistar o consulado saudita em Istambul, quase uma semana depois do desaparecimento do jornalista, um crítico da monarquia saudita

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 13h45

ANCARA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta segunda-feira, 8, que Riad "prove" que o jornalista saudita Jamal Khashogg que desapareceu após comparecer ao consulado saudita em Istambul está vivo. As denúncias de que ele teria sido morto por agentes do governo da Arábia Saudita na representação aumentaram hoje. 

"Os responsáveis do consulado não podem sair simplesmente dizendo que ele saiu do consulado, as autoridades competentes tem de provar isso", declarou Erdogan durante uma entrevista coletiva em Budapeste respondendo a uma pergunta sobre o mistério em torno do desaparecimento do jornalista, um críticio ao reino saudita. "Se ele saiu, vocês (sauditas) terão de provar com imagens", acrescentou Erdogan. 

Ainda nesta segunda-feira, as autoridades turcas pediram para revistar o consulado saudita em Istambul, quase uma semana depois do desaparecimento do jornalista, que não deu notícias desde que se apresentou na representação diplomática, informou nesta segunda-feira, 8, a rede NTV.

O pedido foi transmitido ao embaixador saudita em Ancara, convocado pela segunda vez ao ministério das Relações Exteriores turco, segundo o canal privado.

"Foi-lhe transmitido que esperamos sua total cooperação nesta investigação", disse uma fonte do ministério, citada pela emissora e que pediu anonimato.

Divórcio

Riad diz que o jornalista, crítico do regime saudita e que escrevia para o Washington Post, foi ao consulado para um procedimento administrativo, mas que depois deixou o local.

Ancara afirma que Khashoggi, que estava em Istambul para cuidar dos preparativos de seu casamento com sua noiva turca, desapareceu depois de ter entrado na terça-feira passada no consulado saudita. 

Fontes do governo acreditam que tenha sido morto dentro do consulado. O consulado saudita em Istambul rejeitou no domingo de forma taxativa a acusação "infundada" de que as autoridades de Riad estariam envolvidas no suposto assassinato.

O jornalista turco Turan Kislakçi, amigo pessoal de Khashoggi e dirigente da Associação de Imprensa Turco-Árabe, reforçou a tese de assassinato ao dizer, do domingo, que seu colega saudita foi morto no consulado e essa notícia estava "confirmada", embora não tenha revelado suas fontes.

Em declarações ao jornal Hürriyet, Kislakçi acrescentou nesta segunda-feira que o corpo de Khashoggi foi esquartejado e posteriormente retirado do consulado por uma equipe de 15 agentes sauditas.

A agência de notícias turca Anadolu informou há vários dias que a polícia investiga uma equipe de 15 cidadãos sauditas que chegaram em dois voos a Istambul e se encontravam no consulado ao mesmo tempo em que o jornalista, e que retornaram a seu país pouco depois.

A ONG Anistia Internacional (AI) declarou que o assassinato de Khashoggi no consulado, que é território saudita, equivaleria a uma "execução extrajudicial". A AI também pediu às autoridades turcas que tornem públicos os resultados de sua investigação. / EFE e AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.