Adem Altan/ AFP
Adem Altan/ AFP

Erdogan fala em ataque iminente a forças sírias e Rússia adverte Turquia: 'pior cenário'

Declaração do presidente turco aumentou tensões na região e Idlib e evidenciou falha nas negociações entre Rússia e Turquia

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 08h49

ANCARA - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta quarta-feira, 19, que prepara uma ofensiva militar “iminente” em Idlib, província no noroeste da Síria. A declaração do presidente foi alvo de uma advertência da Rússia, que apoia o governo sírio de Bashar Al Assad.

“A operação em Idlib é iminente. Estamos em contagem regressiva, são as últimas advertências”, disse Erdogan durante um discurso no Parlamento.

A ameaça aumenta as tensões no território sírio, que abriga um conflito que envolve forças sírias, curdos, grupos jihadistas e a própria Turquia. A Rússia, principal aliado de Bashar Al Assad, tenta evitar uma escalada de violência no conflito. No entanto, as negociações entre Ancara e Moscou ainda não chegaram a um acordo claro.

“Lamentavelmente, nem as conversas celebradas entre nosso país e a Rússia, nem as negociações sobre o território nos permitiram chegar ao resultado que desejamos”, disse Erdogan. “Estamos muito longe do ponto que queremos alcançar, é um fato. Mas as conversas (com os russos) vão continuar”, acrescentou.

De Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, advertiu Erdogan que a manobra militar aventada  seria “uma operação contra o poder legítimo da República síria e das forças armadas da República síria, o que seria, sem dúvidas, o pior cenário.”

Ações de Assad incomodam Turquia

Forças de Damasco, apoiadas pela força-aérea russa, realizaram nas últimas semanas um ataque duplo para recuperar o último bastião rebelde e jihadista. A ofensiva provocou o êxodo de mais de 900.000 civis.

O país, que está em guerra desde 2011, nunca havia passado por um êxodo dessa natureza em um período de tempo tão curto. No total, o conflito sítio já levou milhões de pessoas ao exílio e custou mais de 380.000 vidas.

No começo de fevereiro, as tensões aumentaram quando soldados turcos em Idlib morreram após bombardeios turcos. Os militares estavam no local sob a autorização de um acordo mantido por Turquia e Rússia.

Desde então, Ancara pediu a retirada das forças do regime de Assad para o leste de uma estrada chave. No entanto, o avanço das tropas do governo acabaram por cercar posições turcas na província.

Paralelamente às advertências, a Turquia vem enviando reforços militares para a região. “Fizemos todos os preparativos para poder aplicar nossos próprios planos. Estamos decididos a fazer de Idlib uma região segura para a Turquia e para a população local, a qualquer preço”, declarou Erdogan. / AFP

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