AFP PHOTO / OZAN KOSE
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Erdogan qualifica Holanda de ‘república das bananas’ após crise diplomática

Presidente turco garantiu que decisão do governo holandês de barrar um comício político de dois ministros turcos em Roterdã terá consequências

O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 15h43

ISTAMBUL, TURQUIA - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, qualificou neste domingo, 12, a Holanda de "república das bananas" e disse que país pagará o preço de ter impedido um comício político de dois ministros turcos em Roterdã.

Em discurso na cidade de Kocaeli, no leste da Turquia, o líder turco colocou em dúvida a possibilidade de as relações entre os dois países, ambos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), se normalizarem num futuro próximo.

"Eles querem regularizar? Vamos ver, eles ainda não pagaram o preço. Antes, eles têm de pagar a conta. A Holanda não se comportou como um Estado de direito, um membro da União Europeia, mas sim como uma república das bananas", afirmou Erdogan.

As declarações foram uma resposta à decisão do governo holandês de proibir comícios do ministro das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu, e da ministra de Famílias e Assuntos Sociais, Fatma Betül Sayan Kaya, em Roterdã. Os dois queriam falar no consulado do país na cidade para um grupo de turcos residentes na Holanda sobre a reforma constitucional promovida por Erdogan, que tem como objetivo transformar a Turquia em uma república presidencialista. A Holanda alegou que proibiu os eventos por "razões de segurança".

O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, disse aos jornalistas que quer diminuir as tensões com a Turquia, apesar de não ter se desculpado pelo ocorrido. "Queremos desacelerar, mas se os turcos insistem em escalar (a tensão diplomática), responderemos com as medidas adequadas", afirmou ele, que é candidato nas eleições gerais que serão realizadas na quarta-feira 15.

"Trabalhar juntos para reduzir o conflito é o interesse atual das lideranças, mas é claro que os turcos precisam ajudar e o que eles disseram hoje não está ajudando”, disse Rutte a jornalistas.

Ainda neste domingo, Erdogan pediu às organizações internacionais que imponham sanções à Holanda, enquanto uma disputa diplomática sobre a campanha política de Ancara entre os imigrantes turcos na Europa continua a ferver.

"Se ele quer sacrificar as relações com a Turquia em razão das eleições, pagará o preço", alertou Erdogan. "O Ocidente mostrou seu verdadeiro rosto. Pensava que o nazismo tinha terminado, mas me equivoquei. O nazismo está voltando ao Ocidente", disse o presidente turco. / REUTERS e EFE

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