REUTERS/Umit Bektas
REUTERS/Umit Bektas

Erdogan quer Forças  Armadas e inteligência sob seu comando

Para ter esses setores subordinados ao seu cargo teria de negociar com oposição mudança na Constituição

O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2016 | 20h30

ANCARA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pretende realizar uma reforma constitucional para que as Forças Armadas e a Agência Nacional de Inteligência (MIT) passem a ficar sob controle da presidência, informou uma autoridade turca nesta quarta-feira, 28 Para isso, será necessário que as forças opositoras concordem com a proposta. 

Os comentários foram feitos depois de uma reunião do Conselho Militar Supremo na qual se esperava um acordo para fazer uma revisão da varredura que se seguiu ao fracassado golpe militar do dia 15. 

O chefe das Forças Armadas, general Hulusi Akar, será mantido em seu cargo. Mas outros postos importantes passarão por mudanças, afirmou o porta-voz da presidência, Ibrahim Kalin. O conselho é formado por dez generais de alta patente e pelo primeiro-ministro, Binali Yildirim.

Atualmente, o presidente da Turquia exerce de forma simbólica o cargo de comandante-chefe das Forças Armadas, mas o artigo 117 da Constituição estabelece que o chefe do Estado-Maior “será responsável perante o primeiro-ministro no exercício de seus deveres e atribuições”.

Subordinar a cúpula militar ao controle direto do presidente exigiria uma reforma constitucional e, portanto, a presença de uma maioria de dois terços no plenário, algo que, com o atual elenco de deputados, exigiria um acordo com o partido social-democrata CHP, o maior da oposição.

Militares. Pela primeira vez, o encontro do Conselho Militar Supremo ocorreu no escritório do primeiro-ministro em vez de no quartel-general do Exército, e teve a participação do ministro da Defesa, Fikri Isik.

A reunião durou cinco horas. Em seguida, Yildirim foi para o palácio presidencial para submeter as decisões tomadas à autorização de Erdogan. Uma vez ratificadas pelo presidente, elas deverão ser anunciadas à imprensa.

Antes da reunião, o governo turco ordenou, por decreto, destituir 149 generais e almirantes, 40% de todos os militares dessa categoria. O decreto foi publicado no diário oficial, citando o estado de emergência proclamado na semana passada.

Segundo a agência de notícias Anadolu, a ordem pretende afastar do Exército todos os militares “que sejam membros da organização terrorista de Fethullah Gulen ou tenham vínculos com ela”.

O governo atribui a Gulen, clérigo opositor a Erdogan que vive em autoexílio nos Estados Unidos desde 1999, a responsabilidade pelo golpe, acusação negada pelo religioso.

No total, o número de militares expulsos da corporação desde a tentativa de golpe atinge 1.684 pessoas, a maior parte pertence ao Exército – com 87 generais, 726 oficiais e 256 suboficiais expulsos. 

As Forças Armadas turcas afirmaram ontem que um total de 8.651 militares participaram da fracassada tentativa de golpe, na qual usaram 24 caças, 74 tanques, 37 helicópteros e 3 navios. / EFE e REUTERS

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