EFE
EFE

Erdogan rejeita negociação com curdos e exige que eles abandonem fronteira

Presidente turco também ordena que combatentes entreguem suas armas e equipamentos e defende que esta talvez seja ‘a forma mais rápida de resolver o problema na Síria’

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 08h24
Atualizado 16 de outubro de 2019 | 11h03

ANCARA - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, rejeitou de forma categórica qualquer possibilidade de negociação com as forças curdas - mesmo com os Estados Unidos defendendo um cessar-fogo - na Síria e exigiu nesta quarta-feira, 16, que os combatentes entreguem as armas e abandonem a fronteira.

"Nossa proposta é que agora todos os terroristas entreguem as armas, equipamentos, tudo, que destruam todas as fortificações e abandonem a zona de segurança que estabelecemos", afirmou Erdogan. Ele disse ainda que talvez esta seja "a forma mais rápida de resolver o problema na Síria".

"Há alguns líderes que estão tentando fazer uma mediação (...). Nunca aconteceu algo assim na história da República Turca, que o Estado sente à mesma mesa que uma organização terrorista", ressaltou Erdogan em um discurso no Parlamento, em referência às milícias curdas.

Para Entender

Quem são os curdos e por que a Turquia quer atacá-los?

Turcos enxergam 'ameaça terrorista' em grupo na fronteira com a Síria

Dificuldade de chegar a um cessar-fogo

Erdogan se reunirá na quinta-feira com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, durante a visita deles a Ancara, confirmou a presidência turca. Objetivo dos americanos é discutir a operação militar da Turquia na Síria e pressionar para que Erdogan "negocie um cessar-fogo" no território sírio.

Pouco antes, Erdogan afirmou à rede de televisão Sky News que Pence e Pompeo seriam recebidos apenas por seus colegas, e que ele falaria "quando (o presidente dos EUA, Donald) Trump vier".

Mas o diretor de comunicação da presidência turca disse que a agenda do líder "prevê, é claro, se reunir com a delegação dos EUA". A indecisão com relação ao encontro evidencia a dificuldade dos países envolvidos no conflito de chegar ao fim das hostilidades.

Putin convida Erdogan a visitar Rússia

Horas antes, o presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com Erdogan sobre a guerra na Síria e o convidou para uma visita à Rússia nos próximos dias.

"Vladimir Putin convidou Recep Tayyip Erdogan para uma visita de trabalho nos próximos dias. O convite foi aceito", anunciou o Kremlin em um comunicado, no qual destaca que os dois ressaltaram "a necessidade de evitar um conflito entre as unidades turcas e sírias" no norte da Síria, onde Ancara iniciou uma ofensiva na semana passada.

Durante a conversa, uma iniciativa da Turquia, os dois presidentes também destacaram a intenção de preservar a integridade territorial da República da Síria, segundo o governo russo.

A Turquia iniciou há uma semana uma operação militar no norte da Síria contra a milícia turca das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliada dos países ocidentais na luta contra os extremistas.

Na terça-feira, as forças do regime do presidente sírio, Bashar Assad, iniciaram o deslocamento para alguns setores do norte sírio, que não estavam sob seu controle, após um acordo com as autoridades curdas na Síria para conter a ofensiva turca.

Sírios e curdos combatem rebeldes pró-Turquia

O Exército do regime sírio e as forças curdas protagonizaram nesta quarta-feira violentos combates contra os rebeldes pró-Turquia na região norte da Síria, segundo informações da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Para Entender

Com tensão no Oriente Médio, como ficará o futuro da Síria?

Conflito no norte sírio remodela antigas alianças a inicia nova fase da guerra que já dura oito anos

Para conter o avanço das tropas turcas, as forças curdas, abandonadas por Washington, pediram ao Exército de Assad que entrassem em alguns setores do norte do país, sobretudo em Manbij e Ain Isa, a 30 km da fronteira.

O regime e as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelas forças curdas, combatem "juntas", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Os combates foram registrados perto da estratégica rodovia M4, em áreas que separam os territórios sob controle das forças curdas das zonas ocupadas recentemente pelos reforços sírios de Ancara, indicou o OSDH.

Na terça-feira, dois soldados do regime sírio morreram perto de Ain Isa, atingidos por disparos de artilharia dos rebeldes pró-Turquia. 

Curdos sírios buscam refúgio no Iraque

Quase 500 curdos da Síria fugiram nos últimos quatro dias para o Curdistão iraquiano após o início da ofensiva militar turca no norte da Síria, afirmaram as autoridades locais.

Todas as famílias foram escoltadas até acampamentos de deslocados internos na região noroeste do Iraque, onde milhões de iraquianos encontraram refúgio após o avanço do grupo Estado Islâmico (EI) em 2014, informou uma fonte do governo da Província de Dehok, região curda fronteiriça com a Síria.

As ONGs que atuam no Curdistão iraquiano se declaram em estado de alerta desde que Ancara iniciou a operação militar. No sábado, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que "182 curdos sírios cruzaram a fronteira para o Curdistão iraquiano para escapar de bombardeios no nordeste da Síria". 

Questionado sobre eles, Ismael Ahmed, secretário para assuntos humanitários no conselho provincial de Dehok, afirmou que são "curdos sírios que já residem no Curdistão iraquiano, que visitaram parentes na Síria antes de partir na outra direção em consequência dos bombardeios". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.