EFE/EPA
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Erdogan rejeita restrições e vírus avança na Turquia

Presidente quer que pessoas saiam para trabalhar, apesar do crescente número de infectados no país

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 20h28

ANCARA - A Turquia tem registrado quase 4 mil infecções pelo coronavírus diariamente, ultrapassando nesta terça-feira, 7, 34 mil contaminados desde que o primeiro caso foi confirmado, quatro semanas atrás. O número de mortos, 725, ainda é baixo se comparado a outros países, mas o rápido aumento de infecções revela que o número total de casos confirmados na Turquia é um dos que cresce mais rápido no mundo.

O presidente, Recep Tayyip Erdogan, porém, resiste ao apelo dos médicos e da oposição para que ordene às pessoas que parem de trabalhar e permaneçam em casa, insistindo que “as rodas da economia precisam continuar girando”. A Turquia ainda se recupera da crise de 2018, o que leva economistas a acreditar que uma nova recessão em razão da pandemia será inevitável.

O governo tem gradualmente aumentado as medida de combate ao vírus, incluindo a suspensão de voos internacionais, o fechamento de fronteiras, a proibição de viagens entre cidades, reuniões públicas, as orações em massa, além de ter ordenado o fechamento de escolas e de algumas lojas. Pessoas com menos de 20 anos e acima de 65 anos são obrigadas a ficar em casa. 

Na segunda-feira, Erdogan proibiu a venda de máscaras e disse que elas serão distribuídas gratuitamente. O uso do equipamento é obrigatório nos transportes, espaços públicos e lojas. O presidente também prometeu que dois hospitais de campanha em Istambul, com capacidade para mil leitos cada um, estarão prontos em 45 dias, um perto do antigo aeroporto Ataturk e o outro em Sancaktepe, no lado asiático da cidade de 17 milhões, que concentra cerca de 60% dos casos de covid-19 no país. 

Além das crises de saúde e econômica, a pandemia também inflamou a profunda divisão política na Turquia. Um projeto de lei, que será votado pelo Parlamento, prevê a libertação antecipada ou prisão domiciliar para um terço da população carcerária, mas centenas de ativistas dos direitos humanos, jornalistas e políticos da oposição não são elegíveis ao benefício.

Os primeiros esboços do projeto de lei incluíam pessoas acusadas de crimes sexuais ou violência de gênero, mas foram modificados por pressão de grupos de defesa das mulheres. Pelo menos 14 mulheres foram mortas desde o início das medidas contra o coronavírus, que exacerbaram o problema de violência doméstica. 

Uma campanha de doação do governo também foi criticada, depois que se tornou claro que funcionários de algumas companhias com ligações com o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, e funcionários públicos tiveram de fazer doações compulsórias de seus salários, enquanto a mesma prática foi proibida em cidades controladas pela oposição. / EFE

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