Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Erdogan retorna a Turquia nesta quinta-feira e clima de tensão aumenta

Primeiro-ministro afirmou que governo vai continuar com plano de fazer reformas na Praça Taksim

O Estado de S. Paulo,

06 de junho de 2013 | 14h27

ISTAMBUL - A polícia turca voltou a entrar em confronto com manifestantes na noite de quarta-feira, pouco antes da volta do primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, que estava no norte da África. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo contra centenas de manifestantes que atiravam pedras e gritavam slogans contra Erdogan, no centro da capital, Ancara, disseram testemunhas.

Na província de Tunceli, centenas de manifestantes armaram uma barricada de rua e apedrejaram policiais, que responderam com canhões de água. Istambul, onde os confrontos têm sido mais pesados, teve uma noite tranquila.

Os manifestantes exigem que o premiê peça desculpas pela repressão policial durante seis dias de protestos, quando três pessoas foram mortas e mais de quatro mil ficaram feridas em mais de dez cidades, e que demita quem ordenou o uso da força.

O que começou como uma manifestação contra o projeto de construir edificações em um parque de Istambul se transformou em demonstração de protesto contra Erdogan, considerado autoritário, e seu partido, o AK, de raízes islâmicas.

O vice-premiê Bulent Arinc, na chefia do governo enquanto Erdogan está no exterior, adotou um tom mais conciliador, pedindo desculpas pela repressão policial inicial contra ativistas pacíficos da praça Taksim, e recebeu uma delegação de manifestantes em seu gabinete em Ancara. "Exigimos o afastamento do cargo de quem deu a ordem para o uso da força... começando com os governadores e chefes de polícia de Istambul, Ancara e Hatay", disse um porta-voz da delegação a jornalistas, referindo-se às áreas mais afetadas pela violência.

A polícia, apoiada por veículos blindados, tem entrado em choque com os manifestantes todas as noites, enquanto milhares de pessoas se concentram pacificamente nos últimos dias na praça Taksim, em Istambul, onde os protestos começaram.

Um policial que caiu de uma ponte no sul da cidade de Adana, enquanto perseguia manifestantes, morreu em consequência dos ferimentos, informaram emissoras de TV turcas. É a terceira morte nos protestos.

Erdogan fez declarações na segunda-feira num tom de descaso sobre os manifestantes, que classificou como saqueadores, e disse que a agitação acabaria em questão de dias - comentários que, segundo seus críticos, acirraram ainda mais os ânimos.

O vice-presidente do partido AK, Huseyin Celik, pediu aos correligionários que não se dirijam ao aeroporto para receber Erdogan, para evitar tumultos. Antes de voltar para a Turquia, Erdogan disse em entrevista na Tunísia que o governo vai seguir adiante com os planos de reformar o parque em Istambul.

Estrangeiros detidos. Na praça Taksim, os manifestantes permaneciam dispostos a prosseguir com seu movimento. "Nós temos a força do momento, com pessoas como eu indo para o trabalho todos os dias e voltando para participar dos protestos", disse o engenheiro civil Cetin, de 29 anos, que não quis dar seu sobrenome porque trabalha em uma empresa ligada ao governo. "Devemos continuar vindo aqui para protestar até que realmente sintamos que conseguimos alguma coisa", disse ele.

A imprensa turca informou que 11 estrangeiros foram presos acusados de provocar distúrbios, incluindo americanos, britânicos e iranianos, alguns deles estudantes. Centenas de pessoas foram detidas nos últimos dias, muitas delas liberadas pouco depois./REUTERS 

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