Erekat pede que Hamas reconheça Israel para "salvar palestinos"

O chefe de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, pediu nesta quarta-feira que o governo do grupo islâmico Hamas reconheça o Estado judeu para salvar o povo palestino da miséria e da destruição.Bastaria apenas que os 24 ministros do Hamas reconhecessem Israel "para salvar o povo palestino de sua destruição e miséria", disse Erekat nesta quarta-feira à emissora a "Voz da Palestina".Erekat faz essas declarações um dia depois de fracassassem os esforços de mediação do ministro de Exteriores do Qatar, Hamad Bin Jabr Al-Thani, para conseguir um acordo sobre a formação de um governo de unidade entre o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro da ANP e líder do Hamas, Ismail Haniyeh.O dirigente do Hamas rejeitou duas das seis cláusulas de uma iniciativa apresentada pelo Qatar para desbloquear as negociações e conseguir a formação de um governo de coalizão.Entre os seis pontos da iniciativa - um dedicado ao reconhecimento de Israel e outro ao fim de todo tipo de violência -, o Hamas rejeitou principalmente a questão do reconhecimento do Estado judeu e a solução para dois Estados.Sobre as declarações de ministro do Exterior egípcio, Ahmed Abul Gheit, que pediu a Haniye para "encontrar uma solução por si mesmo se não estiver disposto a aceitar a iniciativa de paz árabe", Erekat disse que eram afirmações muito importantes."Trata-se de um grande discurso na história da causa palestina", disse Erekat, que acrescentou que é a primeira vez desde 1948 na qual declarações semelhantes são feitas aos palestinos.Erekat, também deputado no Parlamento palestino pelo movimento nacionalista Fatah na localidade de Jericó, disse que Abbas está desde abril esperando que o governo do Hamas modere suas posições para continuar mantendo relações com a comunidade internacional.Por último, disse que Gaza e Cisjordânia entrarão em colapso, e que os palestinos perderão 83% de seus postos de trabalho como funcionários públicos até o final de 2008, se a atual situação continuar. Também previu perdas econômicas até essa data já estimadas em US$ 5,4 bilhões.Desde que o grupo islâmico Hamas chegou ao poder, em março, a comunidade internacional mantém um boicote econômico que impede a ANP de pagar os salários de 165.000 funcionários na Cisjordânia e em Gaza, onde é o principal empregador.

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