Bill Haber/AP
Bill Haber/AP

Eric Holder recebe moção de censura da Câmara dos EUA

Procurador-geral é primeira autoridade do alto escalão da presidência a receber a moção

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

28 de junho de 2012 | 19h45

WASHINGTON - O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, tornou-se nesta quinta-feira, 28, a primeira autoridade de alto escalão da Presidência de seu país a receber uma moção de censura da Câmara dos Deputados. Ao final de um debate contaminado pelo ambiente eleitoral e pela polarização política, 255 deputados votaram a favor da medida, dos quais 17 são do partido democrata, do presidente Barack Obama. Apenas 67 se opuseram à iniciativa, que cria um constrangimento sem precedentes para o governo americano.

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A moção de censura foi votada justamente no mesmo dia em que o governo Obama conseguiu sua maior vitória na Justiça americana - o reconhecimento da constitucionalidade da Reforma da Saúde. A medida contra Holder não tem efeito prático em sua missão no governo. Mas é vista como um ataque frontal a um dos homens de confiança de Obama. Como o presidente, Holder é negro, formado em Direito (pela Universidade de Columbia) e reconhecido por suas posições favoráveis aos direitos civis.

O processo na Câmara teve como raiz a investigação da morte de um agente da Patrulha da Fronteira, Brian Terry, em dezembro de 2010, no Arizona. Foi descoberto que, em Phoenix, agentes do Escritório de (Combate) ao Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos do governo americano conduziam uma operação de cobate a uma rede de contrabandistas de armas dos EUA para os cartéis de drogas do México, batizada como Rápidos e Furiosos (referência ao nome de um filme de ação de 2001).

Durante a operação, os agentes teriam deixado passar os contrabandistas para rastrear seus passos e, com isso, tentar uma apreensão de maior dimensão. O objetivo não foi alcançado, e duas armas não apreendidas foram encontradas ao lado do corpo de Brian Terry. Holder foi apontado, na Câmara, como suspeito de ter autorizado essa tática arriscada.

Os pedidos dos deputados para a liberacão de emails e de memorandos do Departamento de Justiça dos EUA, para confirmar ou não a suspeita, foram negados. Essa reação atiçou a bancada republicana na Câmara a partir para a moção de censura. "Nenhum Departamento de Justiça está acima da lei, e nenhum Departamento de Justiça está acima da Constituição", afirmou o presidente da Câmara, o republicano John Boehner. "O que os republicanos fizeram aqui é desprezível. É uma vergonha. ", reagiu a líder da minoria democrata, Nancy Pelosi.

A votação foi tumultuada. Parte dos deputados democratas se retirou da sessão, em protesto contra o suposto propósito eleitoral da moção. Pressionados pela Associacão Nacional do Rifle (NRA), 17 democratas se alinharam aos republicanos na votação. O diretor de Comunicações da Casa Branca, Dan Pfeiffer, alegou ter sido Holder o responsável por acabar com aquela tática arriscada de rastrear o contrabando de armas, adotado pelo governo republicano de George W. Bush.

Para Pfeiffer, os republicanos montaram um "circo político". Conforme explicou, o Departamento de Justiça preparou 7.600 páginas de documentos para a Câmara, e seus funcionários participaram de 11 audiências no Congresso sobre a operação Rápidos e Furiosos. "Infelizmente, uma agenda estimulada politicamente prevaleceu, em vez do engajamento nos esforços do presidente (Obama) para criar empregos e expandir a economia", afirmou. "Hoje, nós vimos a Câmara dos Deputados atuar como um dublê político."  

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