Eritreia denuncia agressão militar da Etiópia

O governo da Eritreia disse nesta sexta-feira que o ataque contra um posto militar eritreu, desfechado ontem por soldados etíopes, foi feito para desviar a atenção da longa disputa de fronteira que os dois países têm há décadas. A Etiópia disse ontem, logo após o ataque, que ele foi conduzido porque a Eritreia está treinando "grupos subversivos" que conduziram ataques dentro do seu território. Não foram informados detalhes mais amplos sobre as operações militares.

AE, Agência Estado

16 de março de 2012 | 16h16

"É manifestamente claro que o regime etíope não poderia desfechar um ato tão flagrante de agressão, com tanta audácia, sem a proteção dos Estados Unidos no Conselho de Segurança" da ONU, disse o ministro das Relações Exteriores da Eritreia, Osman Saleh. A Eritreia costuma acusar os EUA de supostamente permitirem abusos da Etiópia, que está alinhada com Washington desde a década passada. A Etiópia é aliada dos EUA na guerra contra o terror.

"O governo da Eritreia pede ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, pela enésima vez, que arque com suas responsabilidades e tome medidas apropriadas para retificar os atos de agressão contra os territórios soberanos da Eritreia e garanta a justiça e o respeito à lei", disse Saleh.

Ele disse que a Etiópia ataca território eritreu há dez anos e o assalto da quinta-feira foi desfechado para encobrir o fato de que a Etiópia ocupa território da Eritreia. Os dois países lutaram várias guerras desde a década de 1940, quando deixaram de ser colônias italianas. A Eritreia lutou contra a Etiópia até 1993, quando conseguiu sua independência.

Em janeiro, militantes supostamente vindos da Eritreia atacaram turistas europeus no norte da Etiópia, matando cinco e sequestrando dois, que foram libertados depois. Saleh disse que as mortes de turistas foram algo "deplorável" mas disse que a Etiópia usa isso como desculpa para um ataque. O primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, disse ao Parlamento do país em abril do ano passado que seu governo iria apoiar ativamente a oposição eritreia para derrubar o regime do país vizinho. Relatórios da inteligência dos EUA indicam que a Eritreia apoiou a organização extremista Al-Shabab da Somália, que tem ligações com a Al-Qaeda. O governo da Eritreia nega as acusações.

As informações são da Associated Press.

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