MANDEL NGAN / AFP
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Ernesto Araújo anuncia apoio do Brasil a reeleição de Almagro, na OEA

Gestão de Almagro se notabilizou por aproximação com interesses americanos, suspensão da Venezuela do colegiado e reconhecimento de diplomatas de Guaidó como representantes do país

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 15h47

WASHINGTON - O chanceler Ernesto Araújo anunciou nesta quinta-feira, 6, que o Brasil apoia a reeleição do uruguaio Luís Almagro ao cargo de secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em Washington, o ministro fez uma declaração perante o Conselho Permanente do organismo, no qual disse Almagro é a pessoa "mais capacitada e em melhores condições" para "seguir conduzindo a OEA no caminho da liberdade, da democracia e da justiça". "Por isso Brasil apoia a reeleição do secretário-geral Luís Almagro", afirmou Araújo.

No final de 2018, Almagro anunciou que tentaria a reeleição em 2020. Na época, ainda durante o governo de transição, Araújo anunciou que o Brasil apoiaria a reeleição do secretário-geral. As eleições serão realizadas em 20 de março e Almagro precisa de maioria simples dos 34 votos do Conselho Permanente da organização. 

O uruguaio assumiu o comando da OEA em 2015, com um mandato de cinco anos. Na ocasião, ao apresentar seu plano de gestão, Almagro chegou a dizer que não disputaria a reeleição para dar chance de que outros países assumissem o comando do órgão.

A gestão de Almagro se notabilizou por uma aproximação da OEA com os interesses americanos, com a suspensão da Venezuela do colegiado e reconhecimento de diplomatas de Juan Guaidó, opositor a Nicolás Maduro, como os representantes do país na OEA. Almagro também acusa Evo Morales de tentar dar um "golpe" na Bolívia. 

Há 20 dias, o Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chamou uma reunião extraordinária do órgão na qual defendeu Almagro. Pompeo disse que o secretário-geral é "destemido contra regimes autoritários" e acredita num "multilateralismo que responsabiliza as pessoas, coloca as ideias na mesa e força os países a tomar posição". 

Nesta quinta-feira, em Washington, Araújo elogiou o papel da OEA no continente e disse que há uma divisão entre a defesa da liberdade e o totalitarismo, fazendo críticas a Cuba e Venezuela. "O Brasil decidiu distanciar-se de certos foros e denunciar outros, e renovou sua aposta nesta organização. A OEA mostrou capacidade de resiliência nos momentos que mais sofreu ataques e soube se reerguer", disse. "A OEA tem conseguido evitar um cenário ainda pior e uma conivência inaceitável com Maduro", afirmou o chanceler.

Religião

Araújo esteve com Mike Pompeo na noite de ontem durante um jantar para lançamento da "Aliança de Promoção da Liberdade Religiosa Internacional".  O uso da liberdade religiosa como pilar da política externa americana ganhou força no governo do presidente Donald Trump, a despeito de o republicano não ser considerado uma pessoa religiosa.

A avaliação corrente nos EUA é de que o tema agrada parte da base eleitoral de Trump, que são os cristãos evangélicos preocupados com a discriminação ao redor do mundo. Críticos do presidente Trump consideram, no entanto, que o governo americano é seletivo na defesa das liberdades ao condenar países como Irã e China sem denunciar abusos cometidos por aliados, como a Arábia Saudita.

A parceria com os EUA na proteção contra abusos e a favor da defesa da liberdade religiosa é considerada pelo governo Bolsonaro como um dos eixos estratégicos de aproximação entre os dois países. "Os diferentes países têm focos diferentes. No nosso caso, claro, uma atenção especial que a gente tem mencionado é com cristãos que são perseguidos em diferentes partes do mundo, pelo fato, claro, da população de maioria cristã no Brasil, pelo interesse que grande parte da população brasileira tem nessa questão. Aliança para liberdade religiosa é para eliminar perseguição a pessoas de qualquer religião, mas como eu disse, os países têm diferentes focos", afirmou Araújo ao sair da OEA.

Araújo participou na manhã desta quinta-feira do National Prayer Breakfast, um "café da manhã nacional pela oração. O evento anual nos EUA reúne cerca de 3 mil pessoas e contou com a participação de Trump.

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