Diego Vara/Reuters
Diego Vara/Reuters

Ernesto Araújo diz que Brasil conseguiu 'desinstrumentalizar o Mercosul'

Em encontro de chanceleres, ministro das Relações Exteriores lamentou a situação na Venezuela e criticou o socialismo

Matheus Lara e Bárbara Nascimento, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 16h20
Atualizado 04 de dezembro de 2019 | 17h38

BENTO GONÇALVES - O ministro da Relações Exteriores, Ernesto Araújo, atacou o socialismo e afirmou que o Mercosul está "desinstrumentalizado" ao abrir nesta quarta-feira, 4, o encontro entre chanceleres da 55ª Cúpula do Mercosul, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

A declaração acontece em meio a uma tensão no bloco econômico em função da mudança de governo na Argentina, que elegeu para presidente Alberto Fernández ao lado de Cristina Kirchner como vice. Ele assume o posto de Maurício Macri na próxima semana. 

Araújo não citou a Argentina. Lamentou a situação da Venezuela e criticou o socialismo. "No Brasil, conseguimos parar esse trem. Conseguimos parar esse projeto que havia instrumentalizado o Mercosul. Conseguimos desinstrumentalizar o Mercosul. Queremos ajudar a parar esse trem em toda a região. Os que querem recolocar o trem na marcha insana e destrutiva devemos chamar de ideológicos." O Brasil está desde julho na presidência rotativa do bloco, que passará para o Paraguai nesta quinta, 5.

"Ideologia é um sistema que se impõe e nega a realidade para exercer o poder", disse o chanceler brasileiro "Assim era em nossa região. Tentamos crescer com protecionismo, alguns insistem nesse caminho. Isso é ideologia. Na Venezuela, vemos isso infelizmente de maneira clara. O socialismo é feito para não funcionar porque garante o poder aos que o exercem e não pensa no bem-estar das pessoas."  

Araújo diz querer ver o Mercosul "à luz do sol", e não "na caverna". "O Mercosul fechado e mal posicionado nos valores e com a bandeira de isolamento não é o Mercosul que queremos. Estamos prontos para trabalhar por um Mercosul à luz do sol. Não queremos pontes para um passado recente e desastroso. Queremos uma marcha por um futuro melhor."

O presidente Jair Bolsonaro estará na quinta em Bento Gonçalves para participar da Cúpula. Além de Araújo, também participam do evento os ministros Paulo Guedes (Economia), Tereza Cristina (Agricultura), Luiz Fernando Mandetta (Saúde), Osmar Terra (Cidadania) e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Bolsonaro chega na manhã de quinta em Porto Alegre e viaja de helicóptero até o Hotel e Spa do Vinho, onde os líderes se encontram em Bento Gonçalves. Seu primeiro compromisso será uma reunião com o presidente paraguaio Mario Abdo Benítez.

Além de Benítez, confirmaram presença na Cúpula o argentino Macri e a vice-presidente do Uruguai Lucia Topolansky. O Estadão mostrou que a cúpula deve ter dificuldades para encaminhar assuntos importantes como a discussão sobre redução da tarifa externa comum (TEC), atualmente em 35%. O motivo são as mudanças de governo na Argentina e também no Uruguai, onde Tabaré Vasquéz deixará o posto para Luiz Lacalle Pou assumir.

Argentina e Uruguai defendem papel do Mercosul

Em sua última reunião do Mercosul antes de ser substituído pelo representante do recém-eleito Alberto Fernández, o chanceler argentino Jorge Faurie afirmou que uma eventual não existência ou saída do bloco seria “muito negativa para a Argentina”.

“Ao longo desses anos todos temos seguido no Mercosul porque os custos de parar seriam muito superiores. O ano de 2019 nos mostrou que muito se pode fazer para avançar para que Mercosul seja ferramenta plena”, disse, completando: “Acredito que Mercosul deve ser motor de mudança e transformação dos nossos países”, afirmou.

Ele destacou o avanço em uma política automotiva única no bloco – o que contou com resistência argentina durante os últimos anos – e afirmou esperar que a Argentina continue a “se apresentar forma aberta, estável e competitiva frente ao mundo”. Também de saída do bloco, após a eleição de Luis Lacalle Pou, o chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa exaltou as conquistas do bloco nos últimos anos. “Os  governos passam e as nações permanecem”, disse, num discurso emocionado.

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