Wilson Dias/Agência Brasil
Wilson Dias/Agência Brasil

Ernesto Araújo diz que Rússia deve tirar militares da Venezuela

Em entrevista à agência Reuters, ministro das Relações Exteriores do Brasil ecoou afirmações de Donald Trump de que russos em solo venezuelano são uma ameaça se estiverem lá para apoiar Nicolás Maduro

Reuters, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2019 | 15h34

Os militares russos enviados à Venezuela deveriam partir o quanto antes do país se o objetivo é manter o governo de Nicolás Maduro no poder. A afirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, em uma entrevista à agência Reuters. Araújo ecoou as palavras ditas pelo presidente dos Estados UnidosDonald Trump, que afirmou que os soldados russos devem sair da Venezuela.

Araújo também disse que esperava que a Rússia reconhecesse que apoiar o presidente Nicolás Maduro só iria aprofundar o colapso da economia e da sociedade da Venezuela, e que a única saída para a crise seria realizar eleições sob um governo interino conduzido pelo líder da oposição, Juan Guaidó."Se a idéia deles é manter Maduro no poder por mais tempo, isso significa mais pessoas morrendo de fome e fugindo do país, mais tragédia humana na Venezuela", disse o ministro. "Qualquer coisa que contribua para a continuação do sofrimento do povo venezuelano deve ser removida", disse ele em uma entrevista por telefone à Reuters.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu na quarta-feira à Rússia que retire suas tropas da Venezuela e disse que "todas as opções" estão abertas para que isso aconteça. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que apoia a operação liderada pelos EUA para obter ajuda humanitária na Venezuela, disse que as Forças Armadas brasileiras não têm intenção de intervir militarmente no país vizinho.

A chegada de dois aviões da Força Aérea russa em Caracas, no sábado, supostamente transportando cerca de 100 homens das forças especiais russas e pessoal de segurança cibernética aumentou a crise política na Venezuela. A Rússia disse na quinta-feira que eles eram "especialistas" enviados à Venezuela sob um acordo de cooperação militar e que eles permaneceriam no país.

Araújo disse que o Brasil gostaria de discutir a crise venezuelana bilateralmente com a Rússia e a China, seus parceiros no BRICS, grupo de maiores economias emergentes, para convencê-los de que uma transição diplomática na nação produtora de petróleo também pode ser de seu interesse. Com cerca de 50 países reconhecendo Guaidó como o líder legítimo da Venezuela, o Brasil agora está focado em conseguir que seus representantes sejam reconhecidos em organizações internacionais em vez de Maduro, disse Araújo, como aconteceu recentemente no Banco Interamericano de Desenvolvimento./ REUTERS

 

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