Erro no Iraque ameaça segurança mundial, diz ministra

A ministra de Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett, disse no Paquistão nesta terça-feira, 27, que uma falha no plano de segurança do Iraque ameaça segurança internacional caso o controle do país seja tomado pelo Taleban."As conseqüências de uma falha no Iraque agora teriam proporções internacionais" disse Beckett. "Os territórios iraquianos são muito voláteis e o risco está se tornando sem governo e sem lei".A ministra disse ainda que o Reino Unido não enxerga nenhuma chance de diálogo com líderes do Taleban que conduzem uma insurgência no Afeganistão.Beckett disse que não pretendia negociar com comandantes do Taleban cujo objetivo já expresso era o de matar soldados britânicos estacionados no Afeganistão. No entanto, ela disse que negociações com ex-integrantes do Taleban ou com simpatizantes que não estivessem mais na ativa seriam possíveis no futuro. "Isso pode ser uma questão diferente, mas eu certamente não vejo uma forma ou processo de diálogo no presente", disse Beckett, respondendo a questões depois de fazer um discurso para uma platéia formada em sua maioria por diplomatas na capital paquistanesa. Na segunda-feira, a o Reino Unido anunciou que iria enviar mais 1.400 soldados para o Afeganistão, elevando sua força no país para 7.700. A maior parte das tropas britânicas está estacionada na violenta província de Helmand, no sul do país. Há cerca de 45.000 soldados estrangeiros no Afeganistão, a maior parte em uma força liderada pela Otan. As declarações de Beckett foram feitas depois que o presidente Pervez Musharraf sofreu forte pressão dos Estados Unidos para fazer mais para derrotar membros do Taleban baseados em território paquistanês, após uma visita surpresa do vice-presidente norte-americano Dick Cheney na segunda-feira. Há um forte pensamento no Paquistão de que o governo afegão e seus aliados ocidentais terão que manter algum diálogo com o Taleban em algum momento, já que conter o movimento guerrilheiro militarmente é difícil demais. O Taleban atrai a simpatia das pessoas em áreas empobrecidas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, onde nem o governo de Cabul nem o de Islamabad exercem um grau forte de influência. Beckett disse entender que parar a infiltração de militantes na fronteira de 2.400 km apresenta imensas dificuldades, e que os aliados deviam cooperar com o Paquistão para vencer o desafio. Ela também disse estar ciente sobre o grande número de soldados, cerca de 80.000, que o Paquistão enviou para as áreas fronteiriças, e sobre as pesadas baixas, mais de 700 nos últimos três anos, sofridas pelo país. Ao ser questionada se concordava com declarações da inteligência americana de que a Al-Qaeda estava se reagrupando nas áreas tribais paquistanesas, a ministra britânica disse que as evidências teriam que ser avaliadas.

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