Erros de Cristina são mal usados por rivais

A presidente Cristina Kirchner, reeleita com 54% dos votos em outubro passado, sofreu uma queda abrupta de sua popularidade desde o início do ano, amargando uma aprovação de 30% atualmente. No entanto, apesar de todo o panorama desfavorável para a presidente e o partido do governo, o Justicialista (Peronista), os líderes da oposição na Argentina não conseguiram capitalizar nenhuma das falhas de Cristina e sua crescente impopularidade.

ARIEL PALACIOS, Agência Estado

25 de novembro de 2012 | 09h22

Nos últimos 11 meses, seu governo foi abalado pelo surgimento de uma série de escândalos de corrupção, a capital do país enfrentou apagões, a inflação - que já estava em escalada - entrou em disparada, a pobreza voltou a crescer, com um leve aumento do desemprego.

Cristina foi alvo de dois grandes panelaços em menos de dois meses, além de sofrer a primeira greve geral da última década na Argentina, protagonizada pelos sindicatos que romperam com seu governo. O cenário, negativo para a presidente, levou os próprios integrantes da ala denominada "ultra-kirchnerista", a suspender a campanha para uma reforma da Carta Magna, de forma a permitir reeleições indefinidas para a presidente Cristina.

As pesquisas que indicam a queda de popularidade de Cristina também mostram que as imagens dos representantes da oposição permanecem estancadas. Em alguns casos, também tiveram quedas de popularidade. Os poucos representantes da oposição no comando de províncias não exibem administrações que sirvam de exemplo. É o caso do prefeito portenho, Maurício Macri, do Proposta Republicana, cuja administração vive mergulhada em problemas.

A oposição conseguiu sua primeira grande vitória contra o kirchnerismo nas eleições parlamentares de 2009, quando o governo obteve somente 30% dos votos em todo o país. Na época especulava-se sobre uma grande coalizão opositora para derrotar o casal Kirchner nas eleições de 2011. No entanto, os principais partidos - a União Cívica Radical (UCR), a Coalizão Cívica, o Proposta Republicana (PRO), o peronismo dissidente, o Partido Socialista e o Projeto Sul - não conseguiram formar coalizão.

Contra-ataque. A oposição perdeu as eleições presidenciais de 2011 de forma clara. Cristina arrebatou 54% dos votos válidos, enquanto que o candidato da oposição mais votado, Hermes Binner, obteve 16%. Apesar da queda da popularidade da presidente pouco tempo após sua posse, dispersão da oposição continuou.

Segundo Bosoer, a política argentina "não funciona como uma gangorra... não é que a queda de Cristina nas pesquisas fará a oposição subir". Os panelaços dos dias 8 de setembro e 13 de novembro foram o sinal mais evidente de que a oposição não conseguiu capitalizar um fenômeno que não havia criado. As mobilizações foram heterogêneas, indo desde a exigência de medidas contra a inflação à investigação dos casos de corrupção, passando por pedidos de respeito à liberdade de expressão.

Embora as manifestações estivessem direcionadas primordialmente contra Cristina, os integrantes do panelaço também protestaram contra a oposição. "Não há líderes políticos da oposição de peso. Os panelaços evidenciaram que há uma coalizão social disponível para conformar um polo opositor. Mas a oposição tem reflexos para assumir essa liderança", sustenta Bosoer.

"O peronismo ocupa todo o tabuleiro político atualmente. Desta forma, a ''oposição'' que teria expectativa de chegar ao governo é composta por outros peronistas. Isso é como um carrossel de crianças. Quem está no carrossel são os peronistas. E quem está embaixo, olhando o carrossel girar, são os partidos de oposição, com poucas chances de subir", diz Bosoer.

Bosoer afirma que a alternância do poder somente ficará clara quando se defina o panorama sobre a sucessão de Cristina: "se ela poderá ou não ser candidata à uma nova reeleição é o fator que definirá tudo. Somente nesse momento é que as eventuais coalizões da oposição começarão a ser definidas. Mas, enquanto isso não aconteça, tudo ficará em stand-by". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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