EFE/ Facundo Arrizabalaga
EFE/ Facundo Arrizabalaga

May diz que proposta europeia ameaça território britânico

Bloco sugere abolição de fronteira apenas entre as duas Irlandas, o que criaria uma fronteira virtual com o resto do Reino Unido

O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 12h26

BRUXELAS - O negociador do Brexit para a União Europeia, Michel Barnier, revelou nesta quarta-feira, 28, um esboço do acordo para a retirada do Reino Unido do bloco como meio de pressionar a primeira-ministra Theresa May a acelerar as negociações. No texto, que ainda deve ser aprovado pelos 27 países do bloco, a menção sobre como será a fronteira entre o Reino Unido e a Irlanda provocou irritação em Downing Street. 

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A primeira-ministra britânica, Theresa May, considerou a proposta europeia para que a Irlanda do Norte continue na união alfandegária uma “ameaça à integridade do Reino Unido” que não pode ser tolerada. “O rascunho que foi publicado pela Comissão Europeia, se aplicado, prejudica o mercado comum britânico e ameaça a integridade constitucional do Reino Unido”, afirmou May, alertando que “nenhum primeiro-ministro jamais aceitará a proposta”.

A fronteira entre o território norte-irlandês e a República da Irlanda é um dos assuntos mais difíceis de resolver nas negociações sobre a saída do Reino Unido da UE, pois um retorno às barreiras fronteiriças poderia pôr em perigo o processo de paz da Irlanda do Norte. 

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O governo de May e os partidos pró-britânicos rejeitam a ideia de sacrificar a Irlanda do Norte em nome da união aduaneira. A possibilidade é totalmente inaceitável especialmente para o Partido Democrático Unionista (DUP) da Irlanda do Norte, do qual May depende para governar, após ter perdido a maioria absoluta nas eleições gerais do ano passado. 

O Partido de Independência do Reino Unido, que ajudou a forçar a realização do plebiscito que decidiu o Brexit em 2016, acusou a UE de tentar “anexar” a Irlanda do Norte.

May voltou a descartar uma união alfandegária – algo que seus opositores do Partido Trabalhista defendem como maneira de evitar controles prejudiciais na divisa irlandesa entre a UE e o Reino Unido.

Mais cedo, o negociador-chefe da UE, Michel Barnier, afirmou que, se não for encontrada uma solução diplomática ou técnica para manter a fronteira invisível, “a Irlanda do Norte, excluído o mar territorial do Reino Unido, será considerada parte do território alfandegário da UE”. 

Segundo revelou a mídia local, o chanceler britânico, Boris Johnson, sugeriu a possibilidade de reintroduzir uma fronteira física entre as duas Irlandas após o Brexit. 

O documento de 120 páginas – que poderá reavivar a tensão na Irlanda do Norte – traduz em linguagem jurídica os compromissos alcançados em dezembro com Londres a respeito de três questões-chave: a situação dos expatriados, a fatura da ruptura do Reino Unido com a UE e o futuro da fronteira irlandesa.

A minuta também determina as regras do jogo do período de transição que o Reino Unido deseja ter depois de sua saída do bloco europeu, prevista para o fim de março de 2019. O objetivo é evitar os efeitos que uma separação brusca poderiam causar. / AFP e EFE

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