Escalada da violência deixa 19 mortos em Gaza e Israel

Os confrontos entre Israel e a Faixa de Gaza tiveram uma escalada perigosa nesta quinta-feira, com a morte de pelo menos mais nove palestinos e três israelenses - elevando a 19 o número de pessoas mortas nas últimas 24 horas, quando Israel lançou bombardeios e ataques aéreos contra o território palestino na costa do Mediterrâneo. Militantes do movimento Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e da Jihad Islâmica, dispararam mais de 250 foguetes contra Israel nesta quinta-feira. Dois deles caíram em Tel-Aviv, 70 quilômetros ao norte da Faixa de Gaza. Um foguete disparado da Faixa de Gaza atingiu um apartamento na cidade israelense de Kyriat Malachi, matando três pessoas - dois homens e uma mulher - e ferindo duas crianças. Já os bombardeios de Israel mataram hoje pelo menos nove palestinos, dois dos quais eram crianças - uma era um bebê de 11 meses.

AE, Agência Estado

15 de novembro de 2012 | 19h05

Na noite de hoje, pela hora local, Israel começou a deslocar soldados para a fronteira com a Faixa de Gaza, o que pode indicar que uma invasão terrestre é iminente. Pelo menos 12 caminhões foram vistos levando soldados e equipamentos, bem como ônibus que transportavam militares e se dirigiam ao litoral. O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, confirmou que autorizou a convocação dos reservistas para uma possível ação. O Exército de Israel disse que pode mobilizar rapidamente 30 mil soldados.

"Eu ordenei hoje aos militares que acelerem a mobilização e estejam prontos para qualquer evento", disse Barak. Militares de Israel disseram que a mobilização tem como objetivo uma possível invasão terrestre da Faixa de Gaza, mas afirmam que nenhuma decisão foi tomada.

Os dois mísseis que caíram em Tel-Aviv não deixaram vítimas. Um caiu no mar e outro em um terreno baldio em uma área comercial vazia em Let-zion, ao sul da cidade. Mas o governo alertou a população com alto-falantes e sirenes e muitos moradores correram pelas ruas, uma situação incomum em Tel-Aviv. Alguns moradores diziam: "eu não acredito nisso" e calmamente iam para casa ou abrigos. Em um restaurante, as pessoas deixaram as refeições sobre as mesas e foram embora. Analistas especulam que o Hamas deve ter tido acesso a mísseis iranianos para poder atingir Tel-Aviv.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o exército está pronto para lançar uma ofensiva terrestre se for necessário. "Nenhum governo toleraria essa situação, na qual um quinto da nossa população vive sob a ameaça constante de ser atingida por um míssil. Israel não tolerará essa situação", afirmou o premiê. "É por isso que eu autorizei as Forças de Defesa de Israel (como são chamadas as Forças Armadas) a realizarem ataques cirúrgicos contra a infraestrutura terrorista em Gaza".

Netanyahu fazia referência ao incidente que começou a atual onda de violência, o ataque seletivo que matou Ahmed Jabari, chefe da ala militar do Hamas, na quarta-feira. O carro de Jabari foi explodido por uma bomba lançada por um caça de Israel.

O primeiro-ministro da Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, do Hamas, elogiou Jabari em discurso na televisão local. "Que dia glorioso e que martírio! Parabéns. Descanse em paz. Se sinta abençoado", disse Haniyeh. O premiê do Hamas disse que a Faixa de Gaza aguentou 22 dias de bombardeios de Israel em 2009 e poderá aguentar muito mais.

Milhares de pessoas, incluídos alguns funcionários do Hamas, participaram nesta quinta-feira do funeral dos restos mortais de Jabari em Gaza. Muitos levavam armas automáticas e disparavam para cima. "Queremos matar em nome de Deus", gritava a multidão furiosa. "O inimigo (Israel) começou a batalha e agora precisará aguentar as consequências", disse o parlamentar Mushir al-Masri, do Hamas.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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