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Mohammed Salem/REUTERS
Mohammed Salem/REUTERS

Escalada da violência e conflitos em cidades divididas aumentam chances de nova eleição em Israel

Cenário pode ser positivo para premiê Binyamin Netanyahu, mas abre espaço para que oposição construa aliança

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 20h00

TEL AVIV - A última escalada entre Israel e o movimento islâmico palestino armado Hamas, bem como a violência sem precedentes nas cidades mistas onde árabes e israelenses coexistem, complicam a formação de um governo, aumentando os riscos de novas eleições gerais, segundo especialistas. 

O cenário de uma nova consulta, que seria a quinta em pouco mais de dois anos, poderia cair como uma bênção para o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, talvez sua única esperança de permanecer no poder após 12 anos consecutivos.

A oposição a Netanyahu ainda pode aproveitar sua chance e a pequena brecha que lhe resta para formar um bloco poderoso o suficiente para derrubar o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel.

Os 11 dias de bombardeios que terminaram na última sexta-feira, 21, levaram o bloco de oposição, muito heterogêneo, a mostrar, no entanto, suas divisões mais profundas em questões de segurança e de identidade.

Nessa configuração, "a maioria dos observadores antecipa uma quinta eleição", afirma Toby Greene, professor de ciência política da Universidade Bar Ilan, perto de Tel Aviv. "Mas ainda faltam 10 dias e, na política israelense, isso é muito tempo", diz.

Derrubar Netanyahu

O líder da oposição e do partido de centro Yesh Atid, Yair Lapid, tem até 3 de junho para tentar formar um governo.

Três semanas atrás, o caminho de Lapid para o poder parecia bem marcado. A saída de Netanyahu, indiciado por "corrupção" em vários casos, também.

Durante o conflito com o Hamas, no entanto, Netanyahu teve liberdade para fortalecer sua imagem como líder em período de crise, em um país que "tradicionalmente se alinha ao chefe governante" quando um conflito explode, lembra Yonatan Freeman, professor de ciência política da Universidade Hebraica de Jerusalém. 

O fato de Netanyahu aparecer diariamente como um "chefe de guerra" em 11 dias de bombardeios serviu para "romper o bloco de oposição", aponta o presidente do Instituto para a Democracia Israelense, Yohanan Plesner.

Lapid tem apenas um parceiro possível: a sigla de extrema direita de Naftali Bennett, Yamina.

Se esses dois homens são ideologicamente opostos, duas coisas os unem, porém: sua disposição de evitar uma quinta consulta exaustiva a todo custo e seu desejo de derrubar Netanyahu.

Alianças

Além disso, Lapid e Bennett sozinhos não têm cadeiras suficientes para formar uma coalizão. Precisariam de outras dez, as dos partidos árabe-israelenses. 

Uma aliança com o partido de Bennett, o preferido dos colonos judeus, é o suficiente para assustar os parlamentares árabes mais críticos de Israel. Ainda assim, há um mês, essa circunstância chegou a ser cogitada.

Desde então, imagens de sinagogas queimadas em algumas cidades mistas do país por parte de manifestantes árabes-israelenses e a reabertura da frente em Gaza com o Hamas levaram Bennett a reconsiderar a aliança com os partidos árabes, segundo o analista Yohann Plesner.

Nesse contexto, Lapid tem poucas chances de sucesso em sua tentativa de formar um governo antes de 3 de junho, mas "também não é impossível", considera Plesner.

Netanyahu, por sua vez, pode contar com dois aliados: Benny Gantz, ex-adversário nas eleições e ministro da Defesa, e Gideon Saar, que acaba de deixar o Likud, partido histórico da direita israelense.

Enquanto a situação de segurança vai se acalmando em Israel, tanto internamente quanto na Faixa de Gaza, Lapid anunciou nesta segunda-feira, 24, a retomada das negociações para formar uma coalizão.

Depois do conflito, os partidos árabes se mostraram muito reservados em relação a esse eventual bloco, que seria, em todos os aspectos, o mais raro na história política do país. /AFP

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