The Washington Post by Evelyn Hockstein
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Escalada de protestos contra violência policial e o racismo abala EUA

Manifestantes ignoram toque de recolher decretado em muitas localidades e forças de segurança atuam para dispersar protestos

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2020 | 15h26

MINNEAPOLIS - Confrontos entre manifestantes e policiais sacudiram no sábado à noite várias grandes cidades dos Estados Unidos, apesar do toque de recolher decretado em muitas localidades para deter os distúrbios que explodiram após a morte de um homem negro em uma ação policial na segunda-feira.

O presidente Donald Trump prometeu acabar com a violência, iniciada em Minneapolis, onde George Floyd, de 46 anos, foi morto por um policial branco.

Nesta cidade do Estado de Minnesota, norte do país, a polícia avançou contra os manifestantes que não respeitaram o toque de recolher na quinta noite consecutiva de violência e usou bombas de efeito moral para dispersar o protesto. 

Também foram registrados confrontos entre manifestantes e policiais em Los Angeles, Chicago, Filadélfia e Atlanta, entre outras grandes cidades americanas nas quais as autoridades também decretaram toque de recolher.

Vários Estados, como Minnesota, solicitaram o auxílio da Guarda Nacional para controlar os protestos.

Em Los Angeles as forças de segurança atiraram balas de borracha para tentar conter os manifestantes, que incendiaram um carro de polícia e saquearam lojas. 

De Seattle a Nova York, dezenas de milhares de manifestantes exigiram acusações mais duras contra os policiais envolvidos na morte de Floyd, que morreu depois que o policial Derek Chauvin o deixou de bruços no chão por quase nove minutos, pressionando o joelho contra seu pescoço.

Na sexta-feira, Chauvin foi acusado por assassinato em terceiro grau. Ele foi demitido, assim como os outros três policiais envolvidos na detenção. Mas isso não foi suficiente para reduzir a indignação. 

A morte de Floyd se tornou o mais recente símbolo da violência policial contra os cidadãos negros e provocou a maior onda de protestos dos últimos anos nos Estados Unidos. 

A imprensa americana informou detenções em Minneapolis, Seattle e Nova York.

Trump culpou a extrema-esquerda pela violência e afirmou que "revoltosos, saqueadores e anarquistas" estavam desonrando a memória de George Floyd. 

"Não podemos e não devemos permitir que um pequeno grupo de criminosos e vândalos destrua nossas cidades e provoquem devastação em nossas comunidades", disse o presidente no sábado.

"Minha administração interromperá a violência da turba", acrescentou Trump, que acusou o grupo Antifa (antifascista) de orquestrar a escalada.

Seu rival democrata na eleição presidencial de novembro, Joe Biden, condenou a violência, mas afirmou que os americanos têm o direito de manifestação.

"Protestar contra tal brutalidade é correto e necessário. É uma resposta totalmente americana", afirmou Biden em um comunicado. "Mas queimar comunidades e destruição desnecessária não é. Violência que coloca vidas em risco não é. Violência que destrói e fecha negócios que atendem à comunidade não é", completou.

- Guarda Nacional -

Os manifestantes em todo o país gritaram frases como "Black Lives Matter" (As vidas dos negros importam) e "Não consigo respirar", as palavras de Floyd antes de morrer. 

O governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, anunciou a mobilização dos 13.000 soldados da Guarda Nacional de seu Estado. 

As autoridades atribuem a violência a elementos externos a seu estado, que poderiam ser anarquistas, supremacistas brancos ou narcotraficantes. 

Durante a tarde, muitas pessoas se reuniram pacificamente em Minneapolis para ajudar a limpar espaços públicos afetados pela violência. Alguns deixaram flores no local em que Floyd foi detido, supostamente por tentar pagar uma conta com uma nota falsa de 20 dólares. 

Em Houston, cidade natal de Floyd, seu amigo Sam Osborne afirmou que teme por sua vida. "Estou realmente mal. Eles o mataram. Agora eu pergunto: o que poderia acontecer comigo?", disse à AFP. 

Ao menos oito Estados, incluindo Texas, Colorado e Geórgia, alertaram a Guarda Nacional, que também foi mobilizada ao redor da Casa Branca.

A Guarda Nacional não está autorizada a intervir no território americano, exceto no caso de insurreição. O corpo de segurança não é mobilizado desde 1992, quando foi convocado durante os distúrbios em Los Angeles após a morte pela polícia de outro homem negro, Rodney King. 

 

- Saques e incêndios -

Diante da Casa Branca, manifestantes enfrentaram agentes do serviço secreto pela segunda noite, enquanto Trump precisa lidar com a revolta mais grave durante seu governo, em meio à pandemia de coronavírus. 

Saques foram registrados em Miami, em pleno toque de recolher. Em Nova York, onde mais de 200 pessoas já foram detidas, o prefeito Bill de Blasio disse que um vídeo que parece mostrar uma viatura da polícia avançando contra manifestantes no Brooklyn era "irritante", mas que não culpava os policiais.

Em Los Angeles, dois incêndios foram controlados na Melrose Avenue, enquanto cenas similares aconteceram em Washington, onde um hotel estava em chamas perto da praça Lafayette.

Os protestos devem prosseguir, apesar da detenção de Chauvin.

A família de Floyd, que será enterrado em Houston, e muitos manifestantes pediram acusações mais duras contra o policial, assim como a prisão dos outros agentes envolvidos.

Cadáver

O corpo de um homem foi encontrado na madrugada de domingo perto de um veículo incendiado em Minneapolis, informou a polícia da cidade.

O cadáver, ainda não identificado, apresenta sinais evidentes de traumatismos, afirmou John Elder, porta-voz da polícia, antes de indicar que a unidade de homicídios da cidade investiga o caso.

Ainda não foi determinado se o óbito está vinculado aos protestos na cidade. Elder disse que o corpo foi encontrado perto de um local ao qual os bombeiros foram chamados em resposta a uma denúncia por um veículo incendiado durante a madrugada.

A polícia encontrou o cadáver perto do local, depois que os bombeiros apagaram as chamas. / AFP

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