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Escalada na violência faz ONU retirar parte de seus funcionários da Síria

Decisão das Nações Unidas é anunciada na véspera de uma nova reunião do Conselho de Segurança para debater a repressão do regime de Bashar Assad; Tunísia decide retirar embaixador de Damasco e Turquia volta a criticar assassinato de civis

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

Como medida preventiva diante da violência na Síria, a ONU decidiu retirar seus funcionários não essenciais do país. A ação ocorre às vésperas de dois integrantes do alto escalão da organização prestarem depoimento no Conselho de Segurança da ONU sobre a repressão das forças de Bashar Assad a opositores.

Numa ampliação do isolamento de Damasco, a Tunísia convocou seu embaixador na Síria para consultas. O premiê turco, Recep Tayyp Erdogan, também endureceu o tom contra o regime sírio. "Enviei meu ministro das Relações Exteriores e pessoalmente entrei contato (com Assad) muitas vezes - a última, há três dias. Apesar disso, civis ainda são mortos", disse o primeiro-ministro turco.

Nos EUA, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o governo americano está "em consultas com muitos aliados europeus para a implementação de medidas financeiras e diplomáticas com o objetivo de aumentar a pressão contra o regime de Assad". O governo também restringiu o movimento do embaixador sírio em Washington, Imad Mustapha, a um raio de 25 quilômetros da embaixada como reciprocidade à decisão tomada por Damasco em relação ao embaixador americano, Robert Ford.

Segundo reportagem do Wall Street Journal, o FBI (polícia federal dos EUA) investiga supostas ameaças de Mustapha e outros funcionários diplomáticos da Síria em Washington a sírio-americanos. O jornal cita o caso de um médico chamado Hazem Hallak que foi morto ao retornar de conferência nos EUA. O embaixador da Síria negou as informações e as qualificou de "mentirosas".

A decisão da ONU em Damasco implicará a retirada de 26 dos 160 membros, segundo Michael Williams, coordenador da entidade para o Líbano. A maioria deles trabalha na área de auxílio a refugiados iraquianos e palestinos. A entidade está preocupada com o aumento da violência em agosto, com amplas ações em Hama e Latakia. Na cidade portuária, centenas de pessoas foram presas e levadas para um estádio ontem.

Em mais debate semanal sobre a crise na Síria, o Conselho de Segurança, em Nova York, ouvirá depoimentos de Navi Pillay, alta comissária de Direitos Humanos da ONU, e Valerie Amos, subsecretária-geral para Assuntos Humanitários. Em seguida, serão realizadas consultas e não está descartada a adoção de uma declaração presidencial no final (mais informações nesta página).

Brasil, Índia, África do Sul e Líbano opõem-se a medidas mais duras contra Assad, mas defendem algumas formas de pressão e exigem medidas como a permissão para a entrada de jornalistas estrangeiros e o envio de uma missão do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Até agora, o regime de Damasco não tem atendido a esses pedidos.

Na semana passada, o embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, chegou a dizer ao Estado que repórteres podem entrar na Síria, mas "o governo teme pela segurança deles diante das milícias opositoras armadas". Ele também insistiu que um tour de jornalistas foi organizado por Damasco. No entanto, apenas alguns membros selecionados da imprensa turca foram autorizados e os consulados sírios ao redor do mundo ainda rejeitam pedidos de visto de jornalistas.

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