Escândalo afasta mais dois executivos da BBC

Crise de credibilidade da emissora se agrava depois que programa envolveu erroneamente um político do Partido Conservador em caso de pedofilia

LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h02

A crise de credibilidade da BBC, causada pelo suposto acobertamento do escândalo de abuso sexual de um ex-apresentador e o envolvimento de um político numa falsa acusação de pedofilia em uma reportagem da emissora, aprofundou-se ontem. Dois altos executivos do canal se afastaram temporariamente de suas funções depois que, no sábado, o diretor-geral da BBC pediu demissão.

A BBC anunciou ontem que sua diretora de notícias, Helen Boaden, e seu assessor imediato, Stephen Mitchell, deixaram os cargos. A saída de ambos ocorreu em razão de o programa Newsnight ter envolvido erroneamente Alistair McAlpine, integrante do Partido Conservador, em acusações de abusos sexuais ocorridos em um abrigo de crianças no País de Gales, nas décadas de 70 e 80. A rede afirmou que os afastados poderão reassumir os cargos futuramente.

A emissora ainda apura as circunstâncias do cancelamento, há um ano, de uma reportagem do Newsnight que relatava denúncias de pedofilia envolvendo o ex-apresentador infantil Jimmy Savile - morto em outubro de 2011, aos 84 anos.

Segundo a polícia britânica, o astro abusou de cerca de 300 meninas. Diante dos escândalos, Chris Patten, presidente da Fundação BBC, afirmou no domingo que, para não acabar, a emissora precisa de uma "reforma total, estrutural e radical".

Críticas. Ontem, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e vários parlamentares criticaram a decisão da BBC de indenizar a demissão de George Entwistle do cargo de diretor-geral da emissora com um ano de salário - o que equivale a cerca de US$ 750 mil. Pelo contrato que mantinha com o canal, Entwistle teria direito a metade desse valor. "Claramente, é difícil de justificar tamanho pagamento", disse o porta-voz do premiê, Steve Field.

O caso de Savile pôs em dúvida ainda a conduta ética de Mark Thompson, que comandava a emissora quando a reportagem sobre os abusos de que o ex-apresentador é acusado foi cancelada. Ontem, ele assumiu a presidência do jornal New York Times. Thompson nega ter acobertado o caso. / NYT e AP

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