EFE/EPA/LEE KI-TAE
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Escândalo ameaça governo sul-coreano

Presidente Park Geun-hye aceita demissão de todos os seus assessores políticos após revelações que levantam suspeita de tráfico de influência

O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2016 | 20h04

SEUL - A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, aceitou neste domingo, 30, a demissão de seus cinco principais assessores políticos – entre eles, o chefe de gabinete da presidência – em meio a um escândalo iniciado após revelações sobre suspeitas de tráfico de influência. No sábado, milhares protestaram em Seul exigindo a renúncia da líder. 

Três outros assessores mais antigos, que formavam um grupo de conselheiros muito próximos da presidente e eram muito criticados por controlar estritamente o acesso a ela também se demitiram.

A mulher que está no centro da crise cada vez mais profunda envolvendo a presidente sul-coreana vai cooperar com os promotores que estão averiguando acusações de que ela impropriamente tinha o controle de assuntos de Estado.

O advogado de Choi Soon-sil disse domingo que ela já deixara a Alemanha, onde estava, para se apresentar às autoridades sul-coreanas. “Choi informou que vai colaborar com os promotores e prestará depoimento”, declarou Lee Kyung-jae, o advogado. “Ela está profundamente arrependida por ter causado frustração e desalento na população”, acrescentou.

Caso. Choi estava sob forte pressão para voltar à Coreia do Sul à medida que a crise política atingia em cheio a presidente diante das acusações de que ela permitiu que a amizade com Park fosse usada para exercer uma influência indevida e obter benefícios pessoais.

Promotores abriram investigações para determinar se os assessores da presidência e outras autoridades infringiram a lei, permitindo que Choi exercesse uma influência indevida ou obtivesse vantagens.

Na semana passada, a presidente admitiu ter submetido a Choi as minutas de discursos no início do seu mandato e se desculpou por ter causado “preocupação na sociedade”. 

Choi foi vista em fotos com Park em 1979, quando a presidente, como filha mais velha do então presidente Park Chung-hye, assumiu a função de primeira-dama no lugar da mãe, morta cinco anos antes por um assassino que pretendia matar seu pai.

O pai de Park, que assumiu o governo num golpe militar em 1961, foi morto a tiros pelo seu chefe da segurança em 1979. Choi foi a pessoa “que me ajudou quando atravessei um período difícil”, disse a presidente em um breve discurso na TV na terça-feira 25.

Em entrevista ao jornal Segye Ulbo, publicada na quinta feira 27, Choi disse ter recebido as minutas dos discursos da presidente após a eleição dela, mas negou ter acesso a outros documentos oficiais, ou que tenha se imiscuído em assuntos de Estado ou se beneficiado financeiramente.

A presidente Park está no quarto ano de um mandato de cinco anos e a crise ameaça complicar as atividades políticas no país durante esse período final do governo. Partidos de oposição exigem uma investigação completa do caso, mas não acenam com a possibilidade de um impeachment.

A crise provocou queda recorde da aprovação de Park. Em uma pesquisa, para mais de 40% ela deve renunciar ou ser removida. O partido conservador governista Saenuri divulgou nota neste domingo pedindo a Park formar uma coalizão de governo com vários partidos. /REUTERS

 

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