''''Escândalo da mala'''' derruba executivo da PDVSA

Remoção do presidente da filial argentina da petrolífera venezuelana foi pedida por Kirchner

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O ''''escândalo da mala'''' causou ontem a renúncia do vice-presidente da Petróleos de Venezuela (PDVSA) - e presidente de sua filial na Argentina -, Diego Uzcateguy, informaram os sites dos jornais argentinos Clarín e La Nación. Segundo os jornais, a saída de Uzcateguy, que vinha sendo solicitada pelo governo argentino, foi confirmada por funcionários venezuelanos à agência argentina DyN.O filho de Uzcateguy, Daniel, é apontado pela imprensa argentina como o homem que convidou o empresário venezuelano Alejandro Antonini Wilson a embarcar, dia 4, num avião fretado pela estatal energética argentina Enarsa para levar seu presidente e alguns executivos da PDVSA de Caracas para Buenos Aires. Antonini Wilson carregava uma maleta com US$ 790 mil e, ao chegar a Buenos Aires, tentou passar pela alfândega sem declarar a quantia, que foi confiscada.Jornais argentinos informaram que Antonini Wilson já havia feito nos últimos meses várias viagens a Buenos Aires e Montevidéu. Despesas de hospedagem e alimentação decorrentes dessas visitas eram pagas pela PDVSA e ele estava quase sempre acompanhado por Daniel Uzcateguy. Eles também viajaram juntos no vôo do dia 4.A apreensão da maleta abriu abalou a relação entre os presidentes Néstor Kirchner, da Argentina, e Hugo Chávez, da Venezuela - que, segundo La Nación, chegaram a discutir aos gritos num encontro na Bolívia na sexta-feira -, e lançou suspeitas sobre a campanha da mulher de Kirchner, Cristina, para a eleição presidencial argentina de outubro. Como o destino dos dólares apreendidos nunca ficou claro, políticos da oposição argentina sugerem que eles teriam como objetivo engordar o cofre da campanha de Cristina.Luis D''''Elia, um dos principais líderes de piqueteiros (desempregados que fecham estradas para pedir trabalho e comida) da Argentina, admitiu ontem que várias organizações sociais no país recebem financiamento de Caracas. ''''Recebemos (dinheiro) para alugar ônibus, isso nos ajuda a mobilizar os companheiros'''', disse D''''Elia, líder da Federação Terra e Moradia. Ele afirmou desconhecer como o dinheiro venezuelano entra no país.O paradeiro de Antonini Wilson é desconhecido. Na terça-feira a Promotoria Federal pediu sua captura internacional. Um de seus advogados disse ontem que seu cliente não fugiu da Argentina, mas deixou o país legalmente e está disposto a colaborar com as investigações.

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