Escândalo de abuso sexual na Igreja chega à Argentina

O escândalo de abusos sexuais que se abateu sobre a igreja católica americana chega agora à Argentina, país onde mais de 90% da população diz pertencer a essa religião. Ainda nesta semana, estará à venda o livro "Nuestra Santa Madre" ("Nossa Santa Madre"), da jornalista argentina Olga Wornat, com a denúncia de que o arcebispo Edgardo Storni, da diocese de Santa Fe, foi acusado no Vaticano de abusos sexuais contra seminaristas e sacerdotes. Wornat declarou à Associated Press que "as acusações são de longa data e que apenas agora serão difundidas". Segundo a jornalista, o caso foi aberto em 1994, com base em antecedentes de dez anos, fundados em 47 testemunhos. "A investigação esteve a cargo do bispo José María Aranciba, que remeteu todo o caso a Roma. A jornalista assegura que a Congregação dos Bispos do Vaticano não tomou nenhuma medida em relação ao caso, que agora provoca comoção em Santa Fe, capital da província de mesmo nome localizada a 500 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires. Storni, de 66 anos, integrante do setor mais conservador e tradicionalista da igreja argentina, ocupa o arcebispado de Santa Fe desde 1984. Ele é conhecido principalmente por suas duras expressões contra o divórcio e o aborto e por ter autorizado a expulsão de alunas solteiras de colégios católicos que ficavam grávidas. Não houve até o momento reação de Storni nem do arcebispado de Santa Fe. Mas, ao contrário, autoridades e deputados da cidade e da província exigiram que as denúncias sejam investigadas.

Agencia Estado,

15 Agosto 2002 | 18h25

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