Escândalo de comissão ilegal envolve ex-ministro de Sarkozy

Grampo telefônico indica que Hortefeux, amigo do presidente, foi flagrado violando segredos de Justiça em caso de 1994

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2011 | 03h05

Um escândalo de comissões clandestinas e financiamento ilegal de campanhas políticas, por meio da venda de armamento pela França, chegou ao Palácio do Eliseu ontem.

Gravações feitas pela Justiça dos telefonemas de um dos envolvidos no caso Karachi levantaram fortes suspeitas de que o ex-ministro do Interior Brice Hortefeux - um dos mais próximos amigos do presidente Nicolas Sarkozy - teve participação no esquema ou pelo menos violou os segredos de Justiça em benefício dos réus.

A investigação diz respeito a comissões clandestinas recebidas pela venda de submarinos e fragatas ao Paquistão e à Arábia Saudita em 1994. O suspeito de ser beneficiário do esquema seria Edouard Balladur, candidato à presidência em 1995. Na época, Sarkozy era o porta-voz da campanha dele.

A denúncia foi revelada pelo jornal Le Monde. Segundo a reportagem, investigadores da Divisão Nacional de Investigações Financeiras e Fiscais (DNIFF) da Justiça gravaram no dia 14 conversas de Thierry Gaubert e de Nicholas Bazire, dois assessores do ex-primeiro-ministro francês George Balladur com Hortefeux.

Escutas. Na gravação, o ex-ministro do Interior - que deixou o cargo após ser condenado pela Justiça por injúrias raciais - aparece revelando segredos de Justiça a Gaubert, diretamente implicado como suspeito. Hortefeux disse ao ex-assessor que a ex-mulher dele, Helène, é uma das testemunhas do processo judicial. Gaubert questiona: "O que você sabe disso? Ela me diz que não fala nada". Hortefeux completa: "Me incomoda um pouco falar por telefone. Há muitas coisas".

As evidências indicam que Hortefeux, que como ministro era o chefe da polícia francesa, teve acesso ao depoimento da ex-mulher de Gaubert antes mesmo que as informações fossem incluídas no inquérito. Mais adiante, o amigo de Sarkozy afirma, ainda sobre a testemunha: "Ela foi ouvida e estava por dentro de suas atividades", adverte Hortefeux, referindo-se ao esquema de financiamento ilegal.

Em uma semana, o caso se transformou em uma crise política por ter atingido três pessoas próximas do chefe de Estado. A presidência nega qualquer vínculo de Sarkozy com o financiamento da campanha de Balladur. O escândalo ganha força a sete meses da eleição presidencial de 2012.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.